Falta de patrocínio: Até quando?

Esporte maringaense enfrenta dificuldade de disputar competições nacionais

A cidade de Maringá possui bons times, mas sempre tem dificuldade para disputar campeonatos fora do estado, pois falta apoio financeiro por parte da iniciativa privada e pública. Um exemplo de que o esporte deixa a desejar é o fato dos atletas maringaenses só se tornarem destaques nacionais quando vão jogar em times de outras cidades.

Maringá já disputou torneios nacionais em diversas modalidades, seja no futebol de campo, no vôlei ou futsal, mas hoje em dia o esporte maringaense anda esquecido. O apoio é mínimo e em muitos casos é praticamente inexistente. Graças a isso, os times e atletas precisam fazer alguns “milagres” para continuar na ativa.

O time de vôlei é um exemplo disso. No ano passado conseguiu participar da Superliga, com o apoio de algumas empresas da cidade, mas neste ano a falta de patrocínio fez com que o time pedisse um afastamento da competição nacional. Mesmo com o titulo dos Jogos Abertos do Paraná e do Campeonato Estadual, a equipe não conseguiu o apoio necessário para garantir a sua participação. Outro time que foi bem é o Ciagym/Maringá de futsal, que mesmo sem muito apoio conseguiu ser vice-campeão Estadual e também o terceiro lugar nos Jogos Abertos do Paraná.

Um dos motivos para Maringá enfrentar dificuldades todo ano na montagem de equipe é justamente a falta de patrocinadores e de empresários da cidade dispostos a investir no esporte da cidade. “Teria de fazer uma discussão, chamar os empresários, e expor o as vantagens e falar do retorno que isso dá, em nível nacional, para que eles possam investir nesses esportes amadores, que dão mais retorno que o futebol”, afirmou o secretário de Esportes, Márcio Stábile

A prefeitura por meio da Lei de Incentivo ao Esporte repassa parte dos impostos para as associações esportivas da cidade, ajudando assim a manter o esporte da cidade, mesmo sem patrocínio de outros setores. “A prefeitura faz a parte dela, ela fornece espaço e ela repassa recursos para a formação de atletas” afirmou Stábile.

Maringá, que já foi destaque no cenário nacional do futebol – na época do glorioso Grêmio Maringá -, passa por uma situação difícil. O time da cidade, o Galo/Adap, é mais um reflexo da falta de apoio às equipes maringaenses. A equipe pediu afastamento do Campeonato Paranaense devido à falta de patrocinadores, o que pegou muita gente de surpresa e, inclusive, gerou revolta entre a torcida da cidade. O Secretário de Esportes afirmou que também não esperava, pois estava aguardando a direção da equipe pra definir a utilização do estádio Willie Davids no campeonato estadual.

Para o estudante e torcedor maringaense, Felipe Botion, a ausência do time de futebol foi bastante sentida. ”Eu fiquei triste, Maringá é uma cidade com tradição no futebol, tricampeã do estado, não pode ficar sem um time de futebol”, afirmou o estudante. Ele acha ainda que as empresas da cidade têm medo de “gastar” dinheiro com qualquer tipo de esporte, já que elas visam somente o lucro, e dependendo do esporte esse lucro seria pouco, ou demoraria muito a aparecer.

“Eu vejo alguns empresários que não pensam no esporte da cidade, em ajudar a cidade de alguma maneira, o que não falta é empresário que tem dinheiro para investir em esporte, mas acho que eles não acham interessante”, afirmou Carlos Emori Júnior, torcedor.

Alguns atletas precisam sair da cidade para continuar no esporte e, em alguns casos, esses atletas acabam se tornando destaques nacionais. Foi o que aconteceu com o jogador de vôlei, Robinson Dvoranen, que hoje defende as cores da Ulbra na Superliga de Vôlei. Outro atleta que deixou a cidade para continuar no esporte foi o também jogador de vôlei, Fernando Mari, que acabou indo para a Europa, disputar o campeonato português pelo time do Esmoriz. Os dois atletas começaram no vôlei por aqui, mas tiveram de sair da cidade para conseguir algo melhor para a carreira. O caso de Fernando é mais recente. Ele saiu da equipe após a conquista do título estadual deste ano.

Fernando Mari é meio de rede e participou das conquistas dos Campeonatos Estaduais do ano passado e deste ano, e do título dos Jogos Abertos do Brasil também este ano. “A nossa cidade sofre com a falta de investidores, porém não é somente esse o problema, acho que falta um apoio daqueles que tem a verdadeira responsabilidade com isso, ou seja, Prefeitura, Governo do Estado. Se o Poder Público não ajuda e não vai atrás, qual é a credibilidade que é passada para um investidor? Sendo que nem aqueles que têm a “obrigação” de ajudar não colaboram”, afirmou o jogador que passou boa parte de sua carreira defendendo as cores de Maringá.

Mesmo com tantas dificuldades, os times maringaenses geralmente superam os problemas e estão se firmando cada vez mais como destaques no estado, com conquistas consecutivas dos campeonatos estaduais, como no caso do vôlei e do handebol. Além disso, “brigam” por um lugar ao sol no cenário nacional, coisa que os times ainda não têm conseguido.

por Zuba Ortiz

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Time maringaense de hóquei volta à ativa

Maringá possui alguns times poucos conhecidos do grande público. Alguns esportes normalmente não são destaque, pois são desconhecidos. Um desses times é o time do Maringá Vipers Hockey, que é uma equipe de Hóquei Inline (sobre patins). Que inclusive já disputou alguns torneios nacionais.

Hóquei é um esporte em que duas equipas competem por um disco que deve ser empurrado para dentro do gol da equipe adversária utilizando o taco.

O Hóquei Inline é uma variação do hóquei sobre o gelo, ele é disputado utilizando as mesmas regras do hóquei sobre o gelo. A diferença fica por conta dos patins utilizados(patins inline e patins para o gelo) e do local de prática do esporte (quadra esportiva e quadra de gelo).  O Hóquei inline é disputado por duas equipes formadas por quatro jogadores de linha e um goleiro, o jogo é disputado em três tempos de 15 minutos.

A equipe maringaense começou suas atividades em 1996, mas ainda como uma brincadeira. A brincadeira se tornou mais séria a partir de 1998, quando o time começou a ganhar projeção no território nacional.

Quando começou em 1996, o time não podia escolher muito os atletas que apareciam no treinamento. “Isso foi mais por aceitação mesmo, de quem gostava de patinar. Nós fomos aceitando até pessoas que não sabiam patinar direito e que acabaram aprendendo a patinar junto com a gente”, declarou Edgar Montelares, um dos jogadores da equipe maringaense.

“Atingimos o 3º lugar na Taça Brasil de Hóquei, já fomos 3º lugar no Campeonato Brasileiro. Então a gente tem uma bagagem legal, se não fosse esse tempo parado a gente poderia ter atingindo mais coisas, mas não gosto nem de pensar”, contou Douglas do Amaral, capitão e fundador do time maringaense.

A influência para a criação da equipe foi um filme. “O time surgiu graças a um filme do Walt Disney, que se chamava Super Patos”, declarou Douglas. Para quem não conhece o filme “Super Patos” conta a história de garotos que montaram uma equipe de hóquei.

Maringá ainda é uma cidade provinciana em relação a alguns esportes, e um desses é o hóquei. “Muitas pessoas desconhecem a existência da equipe e até mesmo o que é o esporte. Quando a gente treina, às vezes muitos curiosos param para ficar observando. Mas o hóquei ainda tem muito que crescer aqui em Maringá”, declarou o capitão da equipe.

O time ficou parado por quase dois anos e retornou aos treinos recentemente, estando hoje com mais ou menos 15 atletas. Mais de uma década depois de sua criação, a equipe “coleciona” em seu currículo três convocações para a seleção brasileira e dois atletas que já jogaram fora do país, nos EUA e no Canadá. Além de o time ter sido considerado o melhor time do sul do país. “E com esses dois anos parados a gente voltou um pouquinho atrás, mas creio eu que com muito treino e determinação a gente pode voltar ao topo”, afirmou Amaral.

PARTICIPAÇÃO FEMININA

No hóquei não existe diferença de sexo, homens e mulheres disputam as partidas todos juntos. Em Maringá, também existe uma garota que treina. Carol Picolli, que já disputou campeonatos com homens. Segundo o capitão da equipe ela nunca deixou a desejar por ser do sexo feminino.

COMEÇANDO NO HÓQUEI

Para começar no esporte o material necessário é um par de patins, cotoveleira, joelheira, um capacete e luvas. E outra coisa necessária é saber patinar, sem o domínio dos patins ninguém vai conseguir praticar o hóquei.
“As pessoas acham que não sabem nem patinar, imagine controlar um disco. Com dois meses de treino é possível patinar perfeitamente. Só tem que gostar. Não adianta vir amarrado pelo pai ou pela mãe que não se vai a lugar nenhum. Aqui a gente treina porque ama o hóquei. Então se você ama, você faz. Não tem segredo é treino e dedicação”, declarou Amaral.

O time maringaense não pensa em torneios para esse ano, até porque o fim do ano está próximo. Para 2009 a expectativa com os campeonatos é grande. “Previsão de campeonato mesmo só em 2009. Em fevereiro do ano que vem começa o calendário. E até fevereiro tem tempo para se treinar bem”, declarou Amaral.

SELEÇÃO BRASILEIRA

Pouca gente sabe, mas hoje em dia o hóquei já é uma realidade no país, em Maringá e no Paraná as coisas estão um pouco atrasadas, mas no Brasil, a Seleção Brasileira foi Campeã Mundial na Transilvânia, “batendo” seleções como Canadá e EUA. Antigamente os próprios atletas se bancavam nas viagens internacionais quando eram convocados para a seleção. “Antes você tinha que se bancar quando era convocado, mas hoje não, hoje você recebe (para defender a seleção brasileira). E isso acaba animando ainda mais os atletas para a prática do esporte”, confessa Douglas.

TREINOS
Os treinos acontecem na quadra da Unifamma, todo sábado, às 14 horas e toda quinta feira, às 19h30.

por Zuba Ortiz