Por que não eu?

Essa semana será movimentada no que diz respeito ao esporte, mas o que me deixa meio “de cara” é que essa movimentação não ocorre com o esporte local, apenas com Seleções e/ou times de outros locais que vem jogar na cidade e movimentam “nosso esporte”.

Vale lembrar ao poder público que nós também temos times na cidade, temos o vôlei, o basquete, o handebol, o futsal, entre outros tantos que poderia citar aqui, mas não, o maior ginásio que temos na cidade está fechado há quase dois anos, e só será “reaberto” para duas partidas da seleção feminina de vôlei contra os Estados Unidos, depois disso, as reformas intermináveis vão continuar, e só Deus sabe quando veremos um time de MARINGÁ usando o ginásio MUNICIPAL, meio contraditório isso não?

Mas é assim que caminha o esporte local: “com passos de formiga e sem vontade”, como diria Lulu Santos. Não por vontade de nossos esportistas, aliás, tiro o chapéu para quem consegue “viver” de esporte nesta cidade.

Agora falando um pouco do jogo, é sempre muito bacana ver uma Seleção Brasileira, independente do esporte, atuando em nossa cidade, quanto a isso, só posso elogiar, mas poderíamos porque não, ter um time forte e quem sabe com investimento, ver jogadores que já passaram por aqui ou que estão por aqui, vestindo as cores da Seleção, fato que já aconteceu com Giba, Ricardinho e alguns outros que por aqui passaram.

Mas o que vemos hoje é um total descaso com o esporte local, vide que o Ciagym (um dos destaques esportivos dos últimos 3 anos no futsal estadual) está atuando no ginásio da ACEMA, nada contra o ginásio, aliás, tem uma boa estrutura, mas é longe do “centro” da cidade, dificulta a chegada de pessoas que não possuem carro e outra, está servindo de casa ao futsal por que não tem outro local na cidade para o time “mandar” as partidas.

Vocês podem se perguntar: “Mas o Chico Neto não vai sediar jogos da Seleção de vôlei? Porque para a Seleção ele foi liberado e pro Ciagym não?”, eu gostaria de fazer a mesma pergunta para o pessoal do poder público, mas nem precisa, lembrei que esse ano tem eleição e que uma Seleção atrai muito mais gente que o futsal local.

Quem sai perdendo com tudo isso? O maringaense e o nosso esporte, que depois da participação na Superliga com o Purity/Cesumar, nunca mais foi destaque em lugar nenhum, tirando os EVENTOS que vem pra cidade, mas o esporte local em si tá em “queda livre”.

Acredito que o pessoal do Ciagym poderia cantar aquela música do Leoni: “Por que não eu?”.

PS: Detalhe besta, porém interessante, o jogo de estreia da terceira fase do estadual de futsal do Ciagym seria no sábado, dia 25, em casa contra o Cascavel, mas já que haverá jogo da Seleção praticamente no mesmo horário (A Seleção joga às 21:30 “contra” o jogo às 20:30 do Ciagym), o jogo foi adiantado para a sexta-feira, dia 24, porém o local continua sendo o ginásio da ACEMA, estranho não?

Entrevista com Juca Kfouri

Na última quarta feira esteve em Maringá, o jornalista esportivo Juca Kfouri, para participar do 6º Ciclo de Palestra da CBN. O “Blog do Zuba” não podia deixar a oportunidade passar, e fez uma entrevista exclusiva com esse ícone do jornalismo esportivo do país. Juca falou de diversos assuntos, entre eles: a polêmica com o craque Kaká, Cartolas, Seleção Brasileira e muitos outros. Confira a entrevista: ZUBA – Missa não ganha Copa, farra também não, você acha que família ganha Copa? JUCA- Esse título na verdade é uma provocação porque missa não ganha a Copa e farra também não, mas farra já ganhou copa e com missa também já se ganhou Copa. O que eu quero dizer é a virtude tá no meio, é um chavão, é uma questão de bom senso. Nem podia ser aquela esbórnia que foi na Alemanha, nem essa coisa de mosteiro que foi agora na África do Sul, embora se você olhar pra história do futebol brasileiro você vai descobrir que, por exemplo, em 58 deve ter sido tão animado na Suécia que anos depois apareceu um filho do Mané Garrincha, não foi no convento que ele fez esse filho, certamente foi na farra, foi na esbórnia. Na Copa de 70, o Rei Pelé, já rei do futebol, autor de mais de 1000 gols, conta que ele saia na Kombi da roupa suja, que ia buscar roupa suja no hotel, jogavam a roupa suja na camionete, ele entrava no meio da roupa suja para poder ir driblar a concentração. Na Copa de 2002, o Felipão tinha lá uma coisa organizada com os jogadores para fazer um dia de folga. O que aconteceu em 2006 é que todo dia era dia de folga, os jogadores voltavam bêbados pra concentração, segundo disse o presidente da CBF, senhor Ricardo Teixeira, não tô aqui fazendo nenhuma inconfidência, um ano depois ele reconheceu que isso acontecia, embora quando a gente insinuava durante a Copa que a coisa tava mal aparada fossemos chamados de antipatriotas, de fracassomaníacos, mal humorados, brigados com a vida, “vamos lá torcer contra o Brasil”, ele um ano depois reconheceu tudo aquilo. E agora [em 2010] era a seleção do mau humor, era a seleção que não falava com ninguém, enclausurada. Ora, você imagina que durante 40 dias você segure 23 homens, atletas, com nível de testosterona lá em cima, vai dar errado, deu errado. ZUBA– Juca queria que você falasse a sua opinião sobre a questão dos clubes e seu investidor, o “efeito Traffic”, digamos assim. JUCA- Pois é, os clubes brasileiros são geridos de uma maneira tão absolutamente tacanha e tão corrompida e corrupta, que vem uma empresa de agenciamento de jogadores, ou de marketing esportivo e se torna mais poderosa que esses clubes rapidamente, a Traffic tem 15 anos, os clubes tem mais de 100 e a Traffic é mais poderosa que eles. Isso dá a medida da incompetência e do tamanho da corrupção. ZUBA – E agora a questão “Mano Menezes na seleção”, é um perfil teoricamente totalmente diferente do Dunga, é um perfil mais parecido com o Felipão, guardada as devidas proporções. JUCA- Veja, eu acho o seguinte, o Mano é muito mais cinturado que o Dunga, o Mano é mais inteligente que o Dunga, o Mano é mais comunicativo que o Dunga, mais paciente que o Dunga. Aparentemente a se ver com muito talento na mão, como está se vendo, pretende fazer com que a seleção brasileira jogue um futebol mais parecido com o futebol brasileiro que a gente gosta, embora não tenha sido essa a marca registrada dele, nem no Grêmio, nem no Corinthians. No Corinthians, ainda em alguns momentos nas finais do campeonato estadual e na Copa do Brasil, a gente viu alguma coisa agradável aos olhos, mas essa nào era a marca do Mano Menezes. Mano Menezes era técnico de futebol de resultado. Tomara que abdique dessa ideia, porque eu tenho um amigo que diz isso, se o que vale agora é o resultado e só o resultado, essa coisa de espetáculo, como diz o Muricy: “quer ver espetáculo vá ao teatro”, então o seguinte, na hora do jogo eu vou ao cinema, vejo lá um bom filme saio do cinema, pergunto para o pipoqueiro quanto foi o jogo do meu time, “ahh ganhou”, “ahh legal ganhou”; “ah perdeu”, “pô que pena, perdeu”; só vale o resultado. Se você tirar do futebol o espetáculo, meu deus, perde o sentido. ZUBA – Juca, imagino que a história seja longa, mas a relação: “SP-CBF-Corte do Morumbi”, é muita politicagem, não é? JUCA- Sem dúvida, o Morumbi foi cortado por “picuinha” do Ricardo Teixeira que não gosta do Juvenal Juvêncio. É isso, sem tirar nem por, é um absurdo você pensar que a 50 serve pro futebol mundial, não apenas pro futebol brasileiro, lembremos que já houve decisão de Libertadores no estádio do Morumbi, não sirva pra um evento que dure um mês, em que o estádio seria usado no máximo meia dúzia de vezes, por mais que você possa dizer e deva dizer que ele não é o estádio ideal para as exigências de hoje, agora, ideal faz quem tem dinheiro pra fazer o ideal, a Alemanha pode fazer o ideal, o Japão pode fazer o ideal, o Brasil não, como a África do Sul não deveria ter feito. O ideal no Brasil, eu dou sempre o exemplo dos Estados Unidos, que fizeram uma Copa do Mundo sem construir nenhum estádio, a França construiu um, porque nós vamos fazer 6 ou 7? Porque vamos fazer um campo de futebol em Cuiabá? Que nào tem futebol profissional? Porque nós vãos fazer um campo de futebol em Manaus, que também não tem futebol profissional? Em Brasília? Que não tem um futebol profissional com P maiúsculo. Não há o que justifique, não há. ZUBA – Ainda sobre estádios, qual sua opinião sobre o “Fielzão”? JUCA- O Fielzão é um presente da Norberto Odebrecht ao presidente Lula e à sua sucessora num gesto simpático que foi feito para agradar o presidente que vai fazer a sucessão ao que tudo indica, segundo as pesquisas né, não tô aqui distorcendo nada, em detrimento do Morumbi e que como eu não acredito em almoço de graça e dizem que vai custar só 350 milhões, eu comparo com o preço da Fonte Nova da mesma Odebrecht que vai custar 580 milhões de reais e comparo com a reforma do Maracanã, da mesma Odebrecht que vai custar 1 bilhão de reais. É gozado, eu estava pensando em reformar a minha casa, mas acho que é melhor eu comprar outra, mandar fazer outra novinha, fazer uma novinha custa menos que reformar. É, acho esquisito. Acho que alguém dá presente aqui e tira de lá o presente que deu aqui. ZUBA – Juca, agora falando um pouquinho do Palmeiras e do Felipão, essa volta do Felipão, o que essa volta de um técnico gabaritado como o Felipão significa? JUCA- Eu te diria o seguinte, a melhor coisa que o Palmeiras podia fazer era trazer o Felipão, não que o Felipão vá tirar o Palmeiras dessa depressão que o Palmeiras vive a tanto tempo nesse ano. Mas só o Felipão pra aguentar mais 3 meses de depressão, então pensar no ano que vem, nenhum outro treinador suportaria, com o Felipão, a torcida do Palmeiras suportará, torcendo pro ano acabar logo, sem que o Palmeiras corra risco de cair pra Segunda Divisão, como acho que esse risco não existe, é isso. E o Felipão vai tratar de fazer o Palmeiras que o palmeirense quer ver ano que vem. ZUBA – Agora a questão dos clubes empresas, a gente tem na Segunda Divisão do Paulista, o Pão de Açúcar e o Red Bull, a gente tem também o Grêmio Prudente, que antes era Grêmio Barueri. Queria saber sua opinião. JUCA – Grêmio itinerante como diz o Mauro César, Grêmio itinerante. São saídas artificiais, na verdade pra revelar jogadores e vender. Porque sabem que jamais terão torcida que se comparem as torcidas já estabelecidas, mas que revela exatamente a fragilidade da estrutura do futebol brasileiro. Essa gente era para estar se associando ao Palmeiras, se associando ao Flamengo, e porque não faz, porque não dar dinheiro para malandro. ZUBA – Tivemos uma época de ouro do Grêmio Maringá, mas hoje temos dois clubes disputando a terceira divisão do campeonato Paranaense, a realidade é essa, mas não é só aqui, tirando Curitiba e Curitiba [clubes da capital], a Federação não dá a atenção devida, você que tem um conhecimento mais a nível nacional, como é que você vê o final do futebol do interior? JUCA – Você acha é possível dissociar a queda de um Maringá, de um Londrina, que já esteve entre os 4 maiores do Brasil num determinado campeonato, dissocia-los de anos e anos de gestão de alguém chamado Onaireves de Moura? Que era cabo eleitoral do senhor Ricardo Teixeira, você não dissocia, há uma questão estrutural, e eu sei que esse presidente que tá aí, não é tão melhor, pelo menos do ponto de vista da organização do que foi Onaireves Moura, que acabou preso, era um escândalo atrás do outro, agora quem elegeu Onaireves Moura? O Maringá, o Londrina, então essa estrutura, é o que eu digo sempre, eu não tenho nada de pessoal, o Onaireves Moura eu nem conheço, mas não tenho nada de pessoal, por incrível que pareça, por mais que você possa duvidar, contra o Ricardo Teixeira, eu estive com ele 4 ou 5 vezes e a minha carteira ele nunca bateu, a minha mãe ele nunca xingou pelo menos pra mim ele nunca xingou, de xingar longe de mim, pra mim nunca xingou. É uma questão estrutural, que precisa mudar, o futebol brasileiro precisa ser gerido de maneira empresarial, enquanto não for, vai ser essa miséria e você perderá a oportunidade em regiões ricas, como Maringá, como Londrina, como Ribeirão Preto, como São José dos Campos, de ter clubes fortes que atendam uma região importante, uma região que pode economicamente. ZUBA – O caminho inverso que os jogadores estão fazendo, até um tempo atrás, principalmente perto da Copa de 2002, os jogadores queriam sair do Brasil porque a Europa era a vitrine, e nessa Copa de 2010 a gente já viu e pra 2014 a gente vai ver mais é a questão deles voltarem ao Brasil. JUCA- Acho que não é bem assim não, não ti iluda, o que você está vendo é um momento de crise na economia internacional, que abateu muito alguns países da Europa, e o que você está vendo basicamente é o retorno de jogadores veteranos, se o Santos não batesse o pé teriam levado o Neymar. Acho que esse perfil de exportador de pé de obra que nós temos, nós só deixaremos de ter, se nós nos fortalecemos aqui, nós temos sido isso, exportamos a garotada e trazemos de volta pessoal em fim de carreira, os caras que já não tem o vigor necessário para disputar o campeonato alemão, o campeonato italiano, o campeonato inglês. ZUBA – Já que a gente tá falando de Campeonato Brasileiro, o nível do campeonato nos últimos anos? Neste ano, dois clubes dispararam e agora que estão sendo alcançados, tanto a Série A como a Série B, o nível tá um pouquinho abaixo das expectativas, a gente até brinca que esse ano é uma Série B que ninguém quer subir, todo mundo quer continuar na Série B, Queria que você comentasse um pouco isso. JUCA- eu acho que a Série B para ter mais graça precisa ter um gigante, esse ano não tem, por mais que tenha um Coritiba, um Bahia, enfim que tenha clubes que já foram campeões brasileiros, mas não tem um Grêmio, um Corinthians, não tem um Botafogo, um Vasco, isso serve para diminuir o interesse e pra nivelar mais por baixo ainda o campeonato. Mas se você lembrar, por exemplo, a Série B que teve o Corinthians, na verdade foi uma Série B para 3, por o Corinthians com poucas rodadas tava na cara que o Corinthians ia, com o nível de investimento do Corinthians, iria “passear” na Série B, como passeou. Então me preocupa mais, te confesso, e acho que tanto a Série B quanto a Série A, nesse ano foram muito sacrificadas por isso, é essa coisa de você começar um campeonato e depois parar por 40 dias porque vai ter uma Copa do Mundo, porque só nós temos esse calendário. Todo o resto do mundo não tinha campeonato nacional correndo durante a Copa, nós tínhamos, e aí acaba sacrificando, acaba tendo o terceiro campeonato nacional, porque você teve um que parou [durante a Copa], depois tem o outro que respeita a janela [de transferências] vê quem é que saiu, quem é que ficou, então agora na verdade, pra mim, o campeonato tá começando agora na segunda rodada do segundo turno. ZUBA – Juca, o investimento no Brasil nessa década será grande, teremos Olimpíadas e temos Copa do Mundo, queria que vc falasse um pouquinho do investimento para trazer um evento como uma Olímpiada, uma Copa do Mundo pro Brasil. JUCA- Pois é, o Brasil pode desde que faça com o mínimo de decência, infelizmente nada indica que faremos com decência, como não fizemos os jogos Pan-Americanos 3 anos atrás. A mesma gente que fez os jogos Pan-Americanos gastarem 10 vezes mais do que tava previsto, essa mesma gente vai fazer as Olimpíadas, que é um evento muito longo, muito mais difícil e muito maior. E a Copa do Mundo é isso, nós estamos querendo fazer a Copa da Alemanha no Brasil, devíamos fazer a Copa do Mundo do Brasil no Brasil. ZUBA – Juca, saindo um pouco do futebol agora, tirando o futebol os outros esportes sobrevivem de ídolos esporádicos a gente teve o Senna na F1, o Guga no tênis, o Cielo na natação. O que falta? Falta investimento do COB? JUCA – Não é do COB, falta uma política esportiva no Brasil, a começar por aí, a cobrança tá errada, nós não temos que ter necessariamente medalhistas olímpicos, recordistas mundiais, nós temos que ter um povo saudável, que pratica esporte, nós não temos, por que nós não temos uma política de esporte para o povo brasileiro. Existe um estudo da Organização Mundial da Saúde que mostra que a cada 1 dólar investido na massificação esportiva, são economizados 3 dólares em saúde pública ZUBA – Então antes de terminar, para você, o maior problema do esporte brasileiro, vem dos cartolas, da estrutura? Qual é o maior problema do esporte nacional? JUCA- Com certeza a superestrutura do poder no nosso esporte, eu adoro contar a piada do dia que Deus fez o mundo: “primeiro fez a Europa e começou fazer a América já diante dos europeus, e foi explicando pros europeus, aqui eu vou fazer a América do Sul, dentro da América do Sul, eu vou fazer um país com um litoral enorme, 8 mil quilômetros de litoral, uma beleza, um país sem terremotos, sem vulcões e além do mais vou por nesse país os melhores jogadores de futebol do mundo”, aí o italiano reclamou: “Lá tem 8 mil quilômetros de litoral, não tem terremoto e ainda vai por os melhores jogadores de futebol do mundo lá, porque?”, aí Deus respondeu: “Não se preocupe, vou colocar os piores cartolas”. É isso. ZUBA – Você não é a favor das manifestações religiosas no jogo de futebol? JUCA – É isso, as pessoas querem confundir isso com meu ateísmo, ou com o fato de que eu sou contra quem tem religião ou não, tenho o maior respeito por quem tem religião, da mesma maneira que quero que me respeitem por não ter, agora eu não faço propaganda disso, eu não ando com uma camiseta escrito “Deus não existe”, como os caras mostram as camisetas: “I belong Jesus”, primeiro que já me irrita o fato de estar em inglês, porque é que não está escrito “Eu pertenço a Jesus”, e segundo eu acho, e alias não sou eu só que acho, que não há nada mais cristão que professe sua religião num local apropriado para professá-la, na mesquita, na sinagoga, na igreja, no templo, no seu quarto, dentro de 4 paredes, Jesus mesmo pregou isso, não precisa sair alardeando na rua a sua paixão por mim, trate de fazer isso só entre nós dois. Porque é absolutamente inadequado, você transformar um campo de futebol, num lugar de manifestação religiosa, além de injusto, nào há nada mais estranho do que o jogador fazer gol e sair agradecendo a Deus por ter feito o gol, e o goleiro que tomou o gol, esse não tem Deus? Esse é filho do diabo? ZUBA – Juca, então pra terminar, a entrevista do Kaká onde ele disse que vc não o respeitava por causa da religião, porque vc divulgou a questão da lesão dele muito antes. Queria saber como que foi levar essa confusão. JUCA – É exatamente isso, o que o Kaká fez ali, o Kaká cometeu ali uma esperteza, ele pra fugir da questão central, que era uma coluna que informava que ele tinha uma lesão, que ele teria que operar, que punha em risco a carreira dele, por que ele estava jogando a Copa no sacrifício. Uma coluna que se vc pegar pra ler, vc verá que não só é respeitosa como elogiosa a ele, pq nessa coluna eu digo que apesar de tudo, ele em 3 lances pode decidir um jogo, mas que ele estava jogando com dor, correndo risco, ele pra sair da questão que não lhe interessava discutir, veio uma questão religiosa, que meses atrás, que não se quer tocava nela. De uma maneira cafajeste inclusive, por que se referindo ao meu filho, que não tem nada o que falar: “aliás o seu pai me persegue”. Para fugir do que? Aonde é que está o Kaká hoje? No departamento médico, se recuperando da cirurgia que se previa que teria de fazer, nada a ver com Deus. ZUBA – E pra encerrar, a questão do patriotismo brasileiro, a gente tem uma Copa do Mundo no mesmo ano de uma eleição para Presidente da República, e a gente vê o brasileiro muito mais patriota durante a Copa que nas Eleições. Queria que vc fizesse uma análise disso. JUCA- eu acho que aí é o seguinte, vc tá mexendo com emoções diferentes, evidentemente, que o exercício da cidadania é mais importante que uma Copa do Mundo, mas a forma de se manifestar é que é diferente, eu acho que são coisas que não se misturam ou não devem se misturar. E que nós ainda não atingimos um nível de cidadania que gostaríamos de atingir, por somos uma sociedade que foi só no século passado fruto duas vezes de interrupções do processo democrático, e a interrupção do processo democrático ela é mais grave nas gerações seguintes do que propriamente na geração que vive a interrupção, porque pra retomar o sentimento de cidadania, de direitos e deveres é mais complicado, mas chegaremos lá. Colaborou com a entrevista: Paulo André Zarpellon CONFIRA O ÁUDIO DA ENTREVISTA: Juca Kfouri by zuba_ortiz