[Crônica] “Um domingo para nunca mais esquecer”

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O domingo prometia fortes emoções no jogo entre Palmeiras e Penapolense, um torcedor em especial – esse que vos escreve – iria pela primeira vez, aos 25 anos, assistir suas duas equipes se enfrentarem em uma partida oficial, válida pelo Campeonato Paulista.

Depois de uma viagem rápida, de Jundiaí até São Paulo, foi só deixar a mochila em casa e passar na casa do amigo amazonense, que topou acompanhar a partida histórica, no caminho até o estádio o pensamento era um só:  “que o CAP perca de pouco, não pode tomar goleada” e o papo sobre a última partida (contra o Mogi) me fez desanimar ainda mais e desacreditar em “milagres”.

Primeiro, entramos na fila errada, depois subimos uma escada típica daquelas que você vê um dia e diz que só subiria para pagar promessa – mal sabíamos que estávamos pagando uma promessa de um resultado histórico.

Na hora de comprar o ingresso, presenciamos um “velhinho engraçado” com 3 cartazes sobre o CAP – que eu acredito que ele queria que aparecesse na transmissão da TV e confesso que depois que entrei na arquibancada não o vi mais. Antes de entrar, ainda tivemos um pequeno contratempo, o Campos havia esquecido sua carteirinha de estudante e teria que pagar a entrada inteira, mas já estávamos ali, não iriamos voltar e ver o jogo pela TV, pagamos e entramos no Pacaembu frio e bastante vazio.

Assim que entrei comecei a procurar meu tio, um “apaixonado”, literalmente, pelo CAP – que havia saído de Penápolis às 6 horas da manhã e chegado em São Paulo às 2 da tarde – logo o vi acenando e fui até lá.

Na hora do time entrar em campo, chamaram meu primo de 5 ou 6 anos para entrar com os jogadores do CAP, mas acho que o lado “interiorano” falou mais alto e aquele estádio “gigante” o assustou, ele preferiu ficar ali, do lado do meu tio e do seu irmão.

O jogo começou e logo veio o 1º gol do Palmeiras – a primeira coisa que passou na minha cabeça foi: “vai ser goleada, p*** que pariu viu”. Na sequência, veio o empate e a sensação foi “pelo menos não vai ser de zero”. 5 minutos depois, veio a virada, apesar da chuvinha fina que incomodava um pouco, comemorei a virada como nunca havia comemorado nenhum título ou gol, a emoção foi tanta que a pulseira do relógio estourou  e o relógio, ou o que sobrou dele,  foi parar 3 degraus abaixo de onde eu estava, mas isso era o que menos importava, afinal, o Penapolense estava vencendo o Palmeiras dentro do Pacaembu.

Logo veio a fome e a lembrança de que não tínhamos nenhum real para comprar as famosas “porcariadas” dos estádios (cachorrão, batata frita, pipoca e afins), pois havíamos gastado o $$ com os ingressos, veio também a lembrança de que se tivéssemos comprado a capa de chuva – ainda fora do estádio, não estaríamos ali tomando chuva “felizes” da vida – com mais de 300 penapolenses de vários lugares e que se “encontraram” por causa do futebol – já havia sido assim ano passado, em Campinas, quando o time conquistou o acesso diante do Red Bull Brasil.

No intervalo, foi hora de pegar um “empréstimo” com meu tio, pois a fome batia e o jogo não “voltava”. Então foi a hora de matar a fome e comer aquelas porcarias que fazem ir ao estádio valer a pena.

O segundo tempo começou e logo aos 10 minutos, uma expulsão um tanto quanto estranha deixou o Penapolense com 10 jogadores em campo e logo surgiram aqueles comentários “esse juiz tá comprado”, “o Palmeiras já deu mala branca pra esse filho da p***”, entre outros, já conhecidos por quem vai aos estádios brasileiros.

A chuva não parava e começava a aumentar na mesma intensidade que o Palmeiras pressionava em busca do empate, mas o alviverde parava em uma excelente atuação de Marcelo (Ex- Corinthians e Bahia) – que tinha apelido de Horácio (braço curto) nos últimos clubes que defendeu e que chegou “um pouco” fora de forma e não passava muita confiança para a torcida.

A garoa diminuiu e a pressão palmeirense também, e depois de um contra ataque – arma do Penapolense – surgiu um escanteio que foi cobrado por Guarú, depois disso veio o “ápice” da tarde, um penapolense de nascimento, Perez – antigo capitão da equipe nos dois acessos do clube – subiu de cabeça, chegou antes do goleiro Fernando Prass e fez 3 a 1, praticamente garantindo a vitória histórica com uma pitada do destino – era a primeira partida contra um clube grande e a vitória viria com gol do único penapolense no elenco capeano – na hora do terceiro gol pude ver meu tio com mais de 40 anos e meu primo com apenas 5, chorando por conta de um jogo de futebol, por causa de um time, de um momento que ficaria sim marcado e que será contado diversas vezes, sempre lembrando de um detalhe diferente.

No apito final, só restou comemorar algo que nem o mais otimista dos penapolenses poderia apostar, uma vitória histórica com “requintes de crueldade com os corações penapolenses”, uma vitória que com certeza será lembrada por muito tempo, e que com certeza, comprova que o futebol é realmente fascinante, nem sempre o melhor vence e nem sempre o time do interior vai ser “saco de pancada” dos times grandes.

A volta para casa foi uma mistura de felicidade e “sonho”, pois como já disse, a ficha de tudo ainda não caiu, mesmo revendo os gols na internet, acho que vou demorar alguns dias, meses ou quem sabe anos para acreditar que o “meu Penapolense” venceu o “meu Palmeiras”.

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