[Crônica]: A primeira vez

Depois de quase um mês de muita tempestade, aproveitei a companhia da minha mãe no último sábado, e resolvi levá-la pela primeira vez em mais de 50 anos ao estádio. O jogo escolhido foi Palmeiras e Joinville. Não era o mais animado e muito menos o que prometia ser o mais emocionante, mas o estádio é um lugar que me acalma e queria que minha mãe também sentisse essa calma pela primeira vez.

Um dia antes, já havia levado ela e meu irmão ao Museu do Futebol, um dos lugares mais bacana de SP (na minha modesta opinião). A visita foi legal e deu pra mostrar um pouquinho do que é o futebol para alguém que não é tão viciado/apaixonado por esse esporte como eu.

Depois da visita ao museu, foi a hora de comprar o ingresso do jogo, uma verdadeira via-sacra, já que nem os próprios seguranças do estádio sabiam dizer onde estavam sendo vendidos. O resultado dessa “pequena” falta de informação foi uma volta completa ao redor do Pacaembu, até achar uma bilheteria aberta.

Com os ingressos comprados, era só esperar o sábado chegar. E o grande dia chegou com uma pequena parada antes de ir para o Pacaembu, ir até a Barra Funda levar meu irmão para pegar o “buzu”.

Depois só mais um táxi e estávamos na Praça Charles Miller, onde todo aquele clima de jogo já tomava conta do local. Resolvi pegar a arquibancada verde, para ficar bem perto da parte mais animada no estádio e minha mãe parecia mais admirada a cada passo que dava.

Entramos bem antes, ficamos quase meia hora esperando o jogo começar, e a cada minuto o estádio parecia mais cheio, e minha mãe já estava se sentido em casa e tentava adivinhar o número de pessoas que estavam ali.

O jogo começou e o “desespero” que já havia presenciado nos jogos assistidos pela TV ficou ainda mais evidente ao vivo. Os xingamentos (acho que aprendi com ela) também faziam parte, eram na proporção de 11 em 10 palavras ditas por ela. Para coroar o dia veio o primeiro gol, de Leandro, exatamente no gol “perto” da gente, e deu pra ela ver praticamente atrás do gol. E ao que parece, ela gostou e comemorou bastante.

No segundo tempo, a expulsão do mesmo Leandro a fez xingar bastante, muito mais do que muito palmeirense que estava por perto, e de longe ela parecia ser a mais animada torcedora das redondezas.

Na hora do segundo gol (de Juninho), apesar de ter sido no gol do tobogã e mais longe, fui obrigado a ouvir: “eu sou pé quente, tenho que vir sempre”; eu rindo respondi que também só tinha presenciado vitórias estando ali. Mas na hora do 3º gol, tive que dar o braço a torcer, realmente a “velha” tinha dado uma baita sorte para o Verdão.

Na saída do estádio, o nosso sorriso era visível, e um programa onde normalmente os pais levam os filhos foi invertido, um filho levou a mãe, e o melhor de tudo, ela gostou. Ver o sorriso da minha velha depois de tanto tempo “triste” valeu muito mais que os 3 pontos do jogo e com certeza, vai valer muito mais que o título da Série B que está chegando.

Esse sábado vai ficar marcado, não por ter sido uma vitória – em cima do Joinville – mas por ser a primeira vez que levei a minha mãe ao estádio. E já ficou a promessa, se tudo correr bem, iremos no Tenentão na primeira oportunidade, para ver nosso CAP, seja contra quem for, mas esse programa, vai ser com a família toda: pai, mãe e irmão, porque são momentos como esse que fazem o futebol ser tão apaixonante, pelo menos pra mim.

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