[Crônica]: “2013: Um ano com vários adeus”

Se tivesse que resumir 2013 em uma frase, acho que usaria “tudo que começa errado, termina errado”, pois bem, acho que isso resume bem o ano que está acabando, mas não ache que não tive coisas para comemorar. Tive muitos momentos bons, mas perda e ausências de pessoas importantes sempre marcam mais e deixam machucados, bem diferente daquele que eu fazia nessa época do ano, quando jogava bola sem tênis na rua e sempre arrebentava o dedão nas guias de sarjeta.

E 2013 começou com incertas, em todos os “meios” possíveis, sejam pessoais ou profissionais, mas isso, foi se desenhando muito mais a  “Deus dará”, do que de acordo com a vontade desse que vos escreve.

Em 2012, desejei ver o jogo dos meus dois times, e tiver a honra de presenciar isso, no dia 26 de janeiro, no Pacaembu. E se o acesso do CAP para a elite tinha sido o momento mais emocionante futelisticamente falando até 2012, em 2013, essa lista mudou, a vitória em cima do Palmeiras, foi um dos melhores momentos do ano, não só para mim, mas também para dois “capeanos” fanáticos que se foram em 2013. E quis o destino que o último jogo do Paulistão fosse justamente contra o São Paulo, que nunca foi meu time, mas era o 2º time da minha Vó Antônia e do meu Vô Zeca, e num jogo onde o Penapolense deu azar, o São Paulo se classificou com um gol contra, uma frase ficou na minha cabeça e talvez faça bastante sentido em 2013: “perder é diferente de ser derrotado”, e é exatamente isso que eles me falariam, se tivessem tido a oportunidade disso.

Enquanto o futebol me fazia sorrir, no jornalismo talvez eu fosse um pouco menos “feliz”,  a incerteza e a onda de demissões acabou piorando a situação que em 2012 já era incômoda, mas a esperança permaneceu até hoje (31/12), e talvez continue até quando não houver mais motivos para ter esperança, mas é assim, não me vejo “outra coisa” que não for jornalista. Mas confesso que em 2013, esperava mais, profissionalmente falando, neste ano várias boas chances bateram na trave, mas talvez a sorte que sobrou para o Penapolense, me faltou.

E quando tudo parecia que começaria realmente a “caminhar”, veio o primeiro tombo, o falecimento do meu “3º avô”, o Tio Zé foi quem abriu sua casa quando cheguei em São Paulo, foi quem ficava indignado com a minha falta de sono e foi com quem eu assistia todos os jogos do São Paulo, nas quartas e nos domingos. Foi uma época de “adaptação” e que ele e minha tia foram essenciais para que eu continuasse em SP, e era para casa dele que eu ia depois dos jogos do Penapolense contra o São Bernardo.

Depois desse baque, minha avó que já estava doente, piorou e no meio desse turbilhão, foi a vez de viajar para tentar dar um novo rumo para a vida em 2013, o destino era Salvador e na lista de coisas a fazer, estava uma reunião com os Berolas (amigos que fiz nos primórdios do Twitter e que levo para vida até hoje), mas alguma coisa me dizia que a viagem não seria apenas para isso, e quando isso acontece, nunca tem um porquê, mas parece que a gente sente. E no domingo, depois do show do Rappa, recebi uma ligação as 7 da manhã, era minha mãe avisando que minha avó estava em coma e que era pra eu me “despedir” dela, falei tudo que podia e que vinha na minha cabeça, não me lembro nem direito o que, mas sei que falei tudo que eu podia, e mesmo que difícil, acreditava que ela daria a volta por cima de novo, para comentar os jogos do CAP comigo nos domingos em que eu estivesse em Penápolis.

A volta de Itacaré para Salvador foi complicada, olhando o celular o tempo todo e torcendo para que o telefone não tocasse e ele não tocou. Mas na segunda, infelizmente o telefone tocou, e aquilo que eu não queria ouvir, foi dito pelo meu pai, e eu não podia fazer nada, estava na capital baiana e só chegaria em SP de madrugada. Acabei indo direto para Penápolis, em um dos dias mais dolorosos da minha vida, a minha Vó, realmente tinha ido, estava deixando a gente aqui para torcer pelo CAP lá do céu. Nessa época, a temporada 2013 do CAP já tinha acabado e a “temporada” da minha avó também, ela era o novo reforço do times de anjos que olham por mim lá de cima. E no dia que o Palmeiras voltou à Série A, eu não estava no estádio, não por falta de  ingresso, vontade ou qualquer outra coisa relacionada ao futebol, mas porque eu estava de volta a Penápolis, na missa de sétimo dia da minha Vó, aquela que sempre dizia que ainda ia me ver falando do CAP na TV.

Depois desse segundo “tombo”, voltei para SP tentando focar na Pós e nas coisas boas que ainda poderiam acontecer, as coisas boas que eu esperava, não aconteceram, mas com certeza, minha Vó ficaria orgulhosa de me ver terminar a Pós, que ela sabia como poucos, que era um sonho pessoal realizado.  Antes da entrega, puder ver o Palmeiras ser campeão da Série B, até então, algo que não fazia parte dos meus planos de torcedor, talvez porque o momento não era muito de comemorar, ou talvez, porque a vitória do Penapolense naquele mesmo Pacaembu, tivesse me mostrado que o meu coração nunca foi dividido, ele só tinha se apaixonado pelo Palmeiras, mas que o “amor da vida” era o Penapolense. E a vida tem dessas, a gente passa muito tempo achando que uma paixão é o amor da vida, até ter a chance de “confrontar” as duas coisas.

A entrega do TCC e as datas da banca de defesa foram uma vitória pessoal em um ano que a “derrota” era dada como certa.  E depois de dar tchau para um irmão amazonense que eu ganhei em SP e que estava mudando seu rumo – e que eu achava que era o ultimo tchau do ano – recebo uma ligação, às 9 e meia da noite num sábado, avisando que o meu Vô Zeca, o outro capeano mais fanático desse mundo, também tinha nos deixado. No momento,  só consegui pensar em correr para a rodoviária, para poder dar adeus para alguém que por motivos banais, eu deixei de ter por perto. E mais uma vez, carregar o caixão foi uma das piores partes, e uma coincidência nada agradável, em menos de dois meses, eu refazia o caminho no cemitério, e enterrava meu avô praticamente no tumulo ao lado da minha Vó.  Não parei muito para pensar nisso, mas de uma coisa eu tenho certeza, a torcida por mim e pelo CAP “lá em cima” está reforçada e com dois reforços de peso, do calibre de Messi e Cristiano Ronaldo.

E depois disso tudo, chegou a hora de começar a dar o último adeus do ano, ou melhor, um pré-adeus; com o fim da pós, chegou a hora de tomar um novo rumo e deixar SP – a cidade que ao mesmo tempo me deu muita coisa, também me causou algumas das maiores decepções profissionais. A cidade que me deu também pessoas maravilhosas, o maranhense mais migué que eu conheci, um irmão parintinense, uma irmã macapaense, uma personal trainner que é jornalista e uma “nega” que será sempre a “minha nega”, passe o tempo que passar. Isso sem contar os inúmeros amigos que não caberiam aqui, mas que sabem que fazem parte dessa história de 2 anos.

E entre uma música brega, um axé ou uma música do Raça Negra, logo eu que não gosto de chorar em público, acabei desabando, primeiro com um texto da Cá e depois do texto da Rê. Acho que se sentir importante para alguém é uma das melhores sensações do mundo, ainda mais em um ano em que perdi pessoas especiais e essenciais, mesmo assim o universo conspirou a meu favor e me “deu” essas pessoas para me dar forçar para enfrentar por tudo isso e me fazer bem não importa como.

2013 está terminando, GRAÇAS A DEUS, não sei o que será de 2014, mas com certeza começarei o novo ano com as esperanças renovadas e com as energias recarregadas, não apenas por mim, mas por meus avós que estão me “olhando lá de cima” e que torcem por mim, como sempre torceram. E que venha 2014, nova cidade, novas expectativas e novos rumos, E que esse novo ano me dê de volta, não as pessoas que perdi, mas a vontade de nunca desistir.

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