[Crônica] Com coração, emoção e benção dos meus anjos e orixás

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E um ano após aquele 1 a 0 “chorado” entre Penapolense e São Paulo com um gol contra do zagueiro Jaílton, que eliminou o time de Penápolis. A volta para casa foi um misto de alegria pelo desempenho do time e de tristeza pela injustiça da eliminação. Mas como disse na época, sabia que se ouvisse meus avós a resposta seria: “perder é diferente de ser derrotado”.

E como a vida tem dessas coisas, praticamente um ano depois, os dois times voltaram a se encontrar pelas quartas-de-final do Paulistão, novamente no Morumbi. Mas dessa vez, algumas coisas tinham mudado. Dois dos torcedores mais fanáticos do CAP não estavam mais em Penápolis acompanhando o jogo por rádio ou TV, mas, estavam sim, “lá de cima” assistindo o jogo por outro ângulo.

Eu sabia também que não teria com quem conversar sobre o jogo ou afins depois dos 90 minutos, mas sabia também que de algum lugar eles estariam torcendo pelo Penapolense, como sempre.  E além disso, deixei São Paulo para morar em Salvador e por isso não pude ir ao Morumbi desta vez.

E o jogo foi um teste pra cardíaco, não pelas chances perdidas pelos dois times, mas sim pelo cronômetro que demorava para passar e com a possibilidade de “vingar a injustiça” que tinha ficado do ano anterior.  E foi assim durante os 90 minutos, com mensagens chegando no celular, dizendo que o time tava jogando bem, que merecíamos a vaga e por ai vai.

Depois do apito final, a tensão tomou conta e sim, deixei o celular de lado e não conseguia dividir a atenção entre a disputa de pênalti na TV e o WhatsApp. O mesmo ritual feito em 99 na disputa de pênalti entre Palmeiras e Deportivo Cali, pela final da Libertadores; acho que dessa vez o coração estava mais apreensivo, afinal a ligação com o Penapolense é bem maior. E aí, foi a hora de “abusar” de todos os Santos – com escapulário e fitinha do senhor do Bonfim nas mãos (já que estava na Bahia, era hora de contar com o apoio dos Santos e Orixás, sem esquecer dos meus avós que tinha certeza que estavam comigo de algum jeito).

E foram passando as cobranças: primeiro Guaru; depois Petros; na terceira cobrança do time do Morumbi, Rodrigo Caio bateu e Samuel fez talvez a defesa mais importante da história do CAP; depois, foi a vez Washington e Douglas Tanque, e todo mundo fez; na última cobrança, foi a vez de Neto encarar Rogério Ceni e depois da cobrança e do gol, foi a vez de comemorar. Não foi um título, mas uma vitória que fez um filme passar pela minha cabeça, desde aqueles domingos às 9 da manhã pela 5ª divisão estadual ao fato inédito de chegar à semifinal do Paulistão da 1ª divisão. E mais do que isso, sabia que em algum lugar do céu, tem dois “velhinhos” felizes, com um sorriso que toma conta do rosto todo e com vontade de me dizer: “tenha calma, que as melhores coisas estão guardadas”.

Pode ser que o CAP seja eliminado pelo Santos no próximo domingo, mas a certeza é uma só: mais uma vez o Penapolense fez história e Salvador pôde acompanhar o “carnaval de um homem só” como disse um amigo baiano.

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