Times baianos não ficam de fora da elite do futebol brasileiro desde 2007

Desde que começou a “Era dos Pontos Corridos”, a Bahia ficou apenas três anos (2005, 2006 e 2007) sem nenhum representantes na elite do futebol brasileiro. No entanto, nos últimos onze anos, os dois maiores times do estado representaram juntos a Bahia apenas três vezes (2003, 2013, 2014).

Faltando cinco rodadas para o fim do Brasileirão 2014, os dois times correm o risco de rebaixamento; o Vitória está a dois pontos da Chapecoense, primeiro time fora da zona do rebaixamento. A situação do Bahia é mais complicada. O time soma 31 pontos e está a cinco da equipe catarinense, faltando 15 pontos em disputa.

pontuaçao

Confira o gráfico detalhado

Segundo matemáticos, a pontuação que pode salvar do Z4 é 45 pontos, mesma pontuação de 2012 e 2013. Faltando 15 pontos (cinco jogos) em disputa, o Bahia precisa de cinco vitórias para chegar aos 46 pontos. Já o Vitória precisa vencer quatro das cinco partidas que ainda vai fazer para chegar aos 46 pontos que livram a equipe do pesadelo da Série B.

Um fato que chama atenção é que nos cinco anos em que esteve na Série A (2003, 2011, 2012, 2013 e 2014), o Bahia venceu o Campeonato Baiano apenas em duas ocasiões – 2012 e 2014.

Já o Vitória esteve na Série A em sete anos (2003, 2004, 2008, 2009, 2010, 2013 e 2014) e venceu o Baianão em seis oportunidades, só perdeu o estadual este ano para o arquirrival – 2003, 2004, 2008, 2009, 2010, 2013.

classificação

Confira o gráfico detalhado

Nos anos que disputou a Série A, o Bahia nunca passou da 12ª posição em 2013. O Vitória alcançou a melhor posição de um clube baiano na “Era dos Pontos Corridos” em 2013, quando ficou em 5º lugar, e por pouco não conseguiu uma vaga na Libertadores da América. Antes disso, o time tinha ficado em 10º lugar em 2008.

* A pontuação e classificação dos clubes em 2014 está atualizada até a 33ª rodada do Brasileirão. 

Anúncios

Sudeste continua na liderança em número de clubes na Série A e B; Nordeste e Sul empatam em segundo lugar com 10 clubes cada

Não é novidade que o futebol do Sudeste é o maior vencedor de competições nacionais e, graça a isso, ficou conhecido como o “eixo Rio-São Paulo” – esquecendo inclusive o futebol mineiro, que teve bastante participação nas conquistas da região.

O fato é que São Paulo esteve com vários clubes em destaque, não somente os quatro grandes da capital, mas também bons times vindos do interior. Bom exemplo disso são clubes como: a Ponte Preta, Guarani, São Caetano e Portuguesa, que nunca foram considerados grandes, mas possuem representatividade no futebol brasileiro.

série b

*Estimativas de 2015 com base na classificação da Série A e B no dia 30 de outubro de 2014

Mas o cenário para os clubes de São Paulo e da região Sudeste de uma maneira geral, gera desconfiança. E o exemplo dessa queda do futebol paulista e da região é visível pelos números principalmente na Série B, competição onde metade – 10 clubes – já foram de Rio/São Paulo/Minas, mas atualmente o número caiu para 7, igual ao Nordeste.

Essa queda fica evidente quando pegamos como exemplo clubes como São Caetano, Guarani e Portuguesa, que já foram finalistas do Campeonato Brasileiro, e no caso do Bugre, até campeão nacional. Hoje amargam o gosto da Série C ou Série D do Brasileirão, sem grandes perspectivas de voltarem a ser destaques no cenário nacional. Essa queda do futebol paulista influencia muito os números do Sudeste, já que a maior parcela dos clubes da região, sempre foi do estado de São Paulo.

No caminho inverso, vem a região Nordeste, que, apesar de ter apenas 3 clubes na Série A, possui 7 clubes na Série B, mostrando que o futebol nordestino está voltando a crescer, depois de um tempo estagnado e quase chegando ao “fundo do poço”.

Essa volta por cima do futebol na região nordeste é mais clara quando pegamos clubes para exemplificar, nesse caso, o Sampaio Côrrea-MA e o Santa Cruz-PE. A média de público dessa região sempre foi um caso a parte, já que mesmo nas divisões menores (Série C e Série D), o número de torcedores era muito maior que de vários clubes da Série A, por exemplo. No entanto, mais do que torcedores apaixonados, os clubes nordestinos começaram a se estruturar para que, a médio prazo, pudessem fazer frente a clubes do Sul e Sudeste.

O resultado já está aparecendo. Na Série B, Sampaio e Santa Cruz fazem boas campanhas e brigam pelo acesso à Série A, isso poucos anos depois de estarem na Série D do Brasileiro – o Sampaio Côrrea-MA subiu da Série D para a Série C em 2012, e da Série C para a Série B em 2013 e pode subir para a Série A em 2014. Já o Santa Cruz-PE subiu para a Série C em 2011, e para a Série B em 2013, vencendo o próprio Sampaio Côrrea na final.

Esse crescimento na região NE também pode ser explicado pela volta da Copa do Nordeste, competição que era tradicional e acabou esquecida por algum tempo. Com a volta da competição, os times se preparam mais que nos campeonatos estaduais, que são considerados por muitos especialistas apenas como uma forma de preencher o calendário dos clubes, principalmente os pequenos, que não possuem vaga em nenhuma divisão do Campeonato Brasileiro.

A Copa do Nordeste consegue fazer que times “menores” consigam disputar partidas contra adversários da mesma região, mas de outros estados, aumentando a competitividade dessas equipes, principalmente em campeonatos menores – como Série B, Série C e Série D.

série a

*Estimativas de 2015 com base na classificação da Série A e B no dia 30 de outubro de 2014

Outra região que tem chamado atenção, principalmente na Série A, é o Sul. Marcado principalmente pelos clubes do Rio Grande do Sul e Paraná, a região tem agora um número grande de clubes de Santa Catarina na Série A – são 3 clubes catarinenses, contra 2 gaúchos e 2 paranaenses.

E na Série B, a situação não é diferente. No G4, dois times –Joinville e Avaí – são de Santa Catarina e podem aumentar ainda mais a presença do estado catarinense na elite do futebol nacional. Se no começo dos anos 90 e 2000, o Rio Grande do Sul despontava como o “carro chefe” da região, com equipes como Juventude, Caxias, Brasil de Pelotas, a realidade hoje é outra, e Santa Catarina, apesar da pouca relevância nacional, toma a frente na região Sul e é o clube com maior presença nas duas principais divisões nacionais.

Esse cenário é possível graça ao investimento em infraestrutura que os clubes catarinenses fizeram, e o projeto a médio prazo, com clubes subindo como Joinville e Chapecoense – que foi a grande surpresa da Série B em 2014.

Outro fato que contribui para esse crescimento de Santa Catarina é a disputa do Campeonato Catarinense, mais enxuto que os estaduais de Rio e São Paulo, por exemplo, e com mais atenção aos clubes “menores”, com menos privilégios aos “grandes”, diferente de Rio e São Paulo, que privilegiam os clubes grandes até mesmo no campeonato estadual.

total

Apesar do grande domínio do futebol do Sudeste nas duas principais divisões do futebol nacional, Sul e Nordeste já começam a mostrar força e tentam diminuir essa diferença. Enquanto os clubes nordestinos apostam em projetos para reerguer o futebol de clubes tradicionais, os clubes do Sul apostam em projetos de times menores, com possibilidade de crescimento e fortalecimento no cenário nacional. Essas propostas vão na contramão do futebol do sudeste, que continua apostando apenas nos clubes considerados grandes e esquecendo dos clubes do interior – que já foram destaques e ajudaram a consolidar a força do sudeste no futebol brasileiro.

E já faz 1 ano…

Faz bastante tempo que não escrevo nada por aqui, mas datas especiais merecem que eu reapareça por aqui. E parece que foi ontem, eu ainda estava em Salvador, arrumando as malas pra voltar para São Paulo, com esperança renovada e com as baterias também recarregadas.

E no final da tarde, quando terminava de colocar a roupa suja na mala, o celular tocou, vi que era meu pai e já sabia qual era a notícia. Ainda assim, atendi e ouvi a notícia que talvez tenha me deixado mais triste até aquele momento da minha vida, minha Vó Tonha havia falecido, (1 mês e pouco depois veio a notícia da morte de meu Vô Zeca, que teve o mesmo peso e dor).

Terminar de arrumar a mala foi uma verdadeira prova de resistência física e emocional. Tentar desligar de tudo e focar só nas roupas, mas quem passou por algo parecido sabe que isso é impossível.

Depois que entrei no avião, pela primeira vez, não consegui dormir um segundo sequer. Chegando em SP de madrugada, foi o tempo apenas de me arrumar e pegar estrada, contando assim, parece que tudo isso aconteceu a pouquíssimo tempo, até pela riqueza de detalhes que tudo isso ainda tem dentro da minha cabeça.

Mas hoje, 21 de outubro, faz 1 ano que tudo isso aconteceu, e por coincidência ou não, eu novamente estou em Salvador, dessa vez, não vai ter ligação do meu pai com notícia ruim, talvez tenha da minha mãe, querendo chorar e desabafar, como acabou de acontecer, e isso é a coisa mais normal do mundo, estranho seria se ela não ligasse. Foi dia também de ir ao Bonfim, lugar que ela tanto queria conhecer, assistir uma missa em memória dela, e ver um “filme” passar pela minha cabeça.

E de lá pra cá, quanta coisa mudou, eu mudei de cidade, a família toda teve que se segurar e mesmo com saudade gigantesca, seguiu a vida e buscando seus objetivos, até para fazer ela feliz lá no time do céu.

E o CAP, o que dizer do time que fazia ela acordar no domingo, 9 da manhã, pra ouvir os jogos da última divisão do Paulistão? Agora está na elite do futebol paulista – e isso ela pode ver ainda em vida – esse ano foi um pouco mais longe, chegou nas semifinais, com direito a eliminação do São Paulo dentro do Morumbi, e sim, não tenho a menor dúvida de que ela lá do céu, vibrou muito quando Neto fez o 5º pênalti e classificou o CAP. E deve ter vibrado também com o baita jogo que o time fez diante do Santos na semifinal.

E deve estar orgulhosa com a faixa de campeão do interior que o Penapolense recebeu esse ano – interior esse que sempre foi o orgulho dela e de toda a família, que mesmo mudando, nunca esqueceu da cidade onde nascemos e crescemos e para onde sempre voltamos quando precisamos.

A saudade só aumenta, e não tem como ser diferente, mas sei que independente de onde ela estiver, ela continua cuidando não só de mim, mas de todo mundo da família. E pelo segundo fim de ano, sei que não vai ter aquela torta assada com atum, que ela tanto gostava de fazer porque sabia que todo mundo adorava e acabava comendo mais que as carnes e afins.

Mas sei também, que de um jeito ou de outro, motivos pra ela se orgulhar da gente, nunca vai faltar. Esteja onde estiver, eu te amo Vó! E cada dia mais, morro de saudade da senhora.

[Crônica] Um Paulistão e um Penapolense

Depois de um 2013 que ficou para a história de todo torcedor Penapolense, o 2014 começou pouco animador. Primeiro, os reforços não eram os esperados e o treinador não era unanimidade. Pelo contrário, já tinha feito uma campanha fraca na Série D em 2013 e não conseguia fazer o time jogar em 2014. Graças à pressão da torcida e ao futebol apresentado na pré-temporada, o antigo treinador deu lugar a Narciso, que, sem dirigir nenhuma equipe principal em São Paulo, acabou aceitando a oportunidade de tentar fazer história com a equipe de Penápolis.

O começo do Paulistão estava longe de empolgar. No domingo da estreia, o plano era almoçar na Vila Madalena com o Campos e ir para casa acompanhar o jogo. No fim das contas, o plano mudou: ficamos no Quitandinha aporrinhando o garçom para ele colocar no jogo e, quando ele resolveu colocar, já estava 1 a 0 para o Oeste. O placar se manteve o mesmo até o apito final. Mas a parte mais engraçada do domingo foi o CAP cruzando as barreiras do Brasil; acabei fazendo com que dois portugueses e um russo torcessem pelo time de Penápolis. Todos bêbados, diga-se de passagem.

Depois da derrota na estreia, o time tinha a primeira partida em casa diante do Bragantino; no mesmo dia também tinha outra decisão: era dia de banca de TCC da pós. Diferente do resultado da banca e da aprovação, o Penapolense novamente foi mal e acabou perdendo por 2 a 0. Entre uma apresentação e outra, uma nota e outra, sempre uma olhada no celular para conferir o tempo e o placar. E os dois saíram no final do jogo, aumentando a raiva e misturando os sentimentos.

Pela terceira rodada, o time foi até Rio Claro enfrentar o time da casa. Antes da partida, foi hora de ir até Guarulhos levar o Campos para a tão sonhada viagem dele pra Europa e na volta a preocupação era uma só: “será que chego antes do jogo começar?”, “o GPS diz que chego até as 16h00”. E como sempre, cheguei em cima da hora; só tive tempo suficiente para entrar no elevador, chegar em casa e ligar a TV. Nessa hora, Liel fazia o primeiro gol do CAP no Paulistão. Talvez o pé frio daquele Boteco 122 fosse o Campos. Pensei exatamente isso enquanto mandava whatsapp informando o placar final da partida quando ele já estava embarcando.

Um tempo depois foi o dia de ver meus dois times (Penapolense e Palmeiras) se enfrentando novamente. Dessa vez, não era o Campos que estava no Pacaembu comigo (ele foi na vitória do CAP por 3 a 2). Carina e Malu me fizeram companhia desta vez e viram o time ser derrotado por 1 a 0, com 10 jogadores durante boa parte do jogo. Confesso que esperava um pouco mais, acho que pela última partida entre os dois. O jogo também teve um sabor especial, eu sabia que era minha despedida do Penapolense “in loco” no ano e também dos jogos no Pacaembu por algum tempo. Era um até logo com cara de adeus.

Antes da mudança para Salvador, com o apartamento já vazio, sem geladeira, televisão ou qualquer outra coisa além de um notebook e dois colchões, acompanhei a vitória diante do Mogi Mirim no meu último dia oficial em São Paulo, com direito à minha mãe comemorando os gols e o final do jogo visto no Veloso pelo celular.

Já de casa nova e me adaptando ao estilo soteropolitano, foi a vez de torcer para que a NET instalasse a TV a cabo a tempo para acompanhar o jogo contra o São Bernardo. Inauguração do apê novo! E Eric, mostrando que não é vascaíno por acaso, mostrou todo seu pé frio e quando estava na porta, indo embora, viu Douglas Tanque fazer o gol da vitória; deu pra perceber que os ares baianos dariam sorte ao meu CAP.

Na partida contra o Santos, não esperava muita coisa: o time tinha altos e baixos e não empolgava. Com Manu e Gi em casa, vi o CAP fazer 2 a 1 e, com o coração na boca, fui para o ensaio da Timbalada. Me restou apenas acompanhar o resto do jogo pelo celular. A cada gol, uma comemoração no meio do show. As pessoas que estavam perto provavelmente não entenderam nada, mas o fato é que o time estava embalando e provavelmente pegaria de novo o São Paulo nas quartas de final do Paulistão.

No confronto contra o Corinthians, na penúltima rodada, foi a vez de sacanear Cris e Edimário e tirar onda com os torcedores do Timão, que acabou fora do Paulistão em pleno Tenentão com direito a gritos de “eliminado” no final do jogo. Algo surreal de se imaginar até pouco tempo atrás, mas que aumentou consideravelmente a vontade de pegar um avião direto para o estádio.

Depois da derrota injusta em 2013, novamente Penapolense e São Paulo se enfrentaram nas quartas-de-final. Dessa vez, a decisão foi nos pênaltis e brilhou a estrela do goleiro Samuel – que de 3° goleiro no começo da temporada, passou a titular absoluto. Nesse jogo, um filme passou pela minha cabeça: lembrei dos avós que perdi ano passado e que eram torcedores doentes do CAP, mas que tinham um carinho grande pelo São Paulo. Nas disputas dos pênaltis, apelei para escapulário e fitinha do Senhor do Bonfim. E deu resultado: Penapolense classificado pela primeira vez para a semifinal do Paulistão; talvez o meu momento mais feliz, futebolisticamente falando. Como disse Eric: foi o dia do “carnaval de um homem só em Salvador.”

E como sonhar nunca custou nada, a semifinal diante do Santos era histórica por si só, mas ganhou contornos mais surreais depois do apito do intervalo. Primeiro o gol de Cicero no chute que desviou e acabou matando o goleiro Samuel. Depois, a virada do CAP: primeiro com Guaru de pênalti e depois com Douglas Tanque, deixando 60 mil pessoas de uma cidade “escondida” felizes por pelo menos 45 minutos. A virada do Santos acabou acontecendo e o sonho de disputar uma final do Paulistão foi adiado, não sei por quanto tempo, mas a cada partida, o amor pelo clube aumenta e a vontade de ver a cidade cada vez mais orgulhosa pelo seu time também.

E, para coroar o primeiro semestre, com a vitória do Ituano, o título de Campeão do Interior foi mais do que merecido; não pelos altos e baixos da primeira fase, mas pela superação e futebol apresentados no mata-mata.

Valeu CAP, que venha a Série D!

[Crônica]: “2013: Um ano com vários adeus”

Se tivesse que resumir 2013 em uma frase, acho que usaria “tudo que começa errado, termina errado”, pois bem, acho que isso resume bem o ano que está acabando, mas não ache que não tive coisas para comemorar. Tive muitos momentos bons, mas perda e ausências de pessoas importantes sempre marcam mais e deixam machucados, bem diferente daquele que eu fazia nessa época do ano, quando jogava bola sem tênis na rua e sempre arrebentava o dedão nas guias de sarjeta.

E 2013 começou com incertas, em todos os “meios” possíveis, sejam pessoais ou profissionais, mas isso, foi se desenhando muito mais a  “Deus dará”, do que de acordo com a vontade desse que vos escreve.

Em 2012, desejei ver o jogo dos meus dois times, e tiver a honra de presenciar isso, no dia 26 de janeiro, no Pacaembu. E se o acesso do CAP para a elite tinha sido o momento mais emocionante futelisticamente falando até 2012, em 2013, essa lista mudou, a vitória em cima do Palmeiras, foi um dos melhores momentos do ano, não só para mim, mas também para dois “capeanos” fanáticos que se foram em 2013. E quis o destino que o último jogo do Paulistão fosse justamente contra o São Paulo, que nunca foi meu time, mas era o 2º time da minha Vó Antônia e do meu Vô Zeca, e num jogo onde o Penapolense deu azar, o São Paulo se classificou com um gol contra, uma frase ficou na minha cabeça e talvez faça bastante sentido em 2013: “perder é diferente de ser derrotado”, e é exatamente isso que eles me falariam, se tivessem tido a oportunidade disso.

Enquanto o futebol me fazia sorrir, no jornalismo talvez eu fosse um pouco menos “feliz”,  a incerteza e a onda de demissões acabou piorando a situação que em 2012 já era incômoda, mas a esperança permaneceu até hoje (31/12), e talvez continue até quando não houver mais motivos para ter esperança, mas é assim, não me vejo “outra coisa” que não for jornalista. Mas confesso que em 2013, esperava mais, profissionalmente falando, neste ano várias boas chances bateram na trave, mas talvez a sorte que sobrou para o Penapolense, me faltou.

E quando tudo parecia que começaria realmente a “caminhar”, veio o primeiro tombo, o falecimento do meu “3º avô”, o Tio Zé foi quem abriu sua casa quando cheguei em São Paulo, foi quem ficava indignado com a minha falta de sono e foi com quem eu assistia todos os jogos do São Paulo, nas quartas e nos domingos. Foi uma época de “adaptação” e que ele e minha tia foram essenciais para que eu continuasse em SP, e era para casa dele que eu ia depois dos jogos do Penapolense contra o São Bernardo.

Depois desse baque, minha avó que já estava doente, piorou e no meio desse turbilhão, foi a vez de viajar para tentar dar um novo rumo para a vida em 2013, o destino era Salvador e na lista de coisas a fazer, estava uma reunião com os Berolas (amigos que fiz nos primórdios do Twitter e que levo para vida até hoje), mas alguma coisa me dizia que a viagem não seria apenas para isso, e quando isso acontece, nunca tem um porquê, mas parece que a gente sente. E no domingo, depois do show do Rappa, recebi uma ligação as 7 da manhã, era minha mãe avisando que minha avó estava em coma e que era pra eu me “despedir” dela, falei tudo que podia e que vinha na minha cabeça, não me lembro nem direito o que, mas sei que falei tudo que eu podia, e mesmo que difícil, acreditava que ela daria a volta por cima de novo, para comentar os jogos do CAP comigo nos domingos em que eu estivesse em Penápolis.

A volta de Itacaré para Salvador foi complicada, olhando o celular o tempo todo e torcendo para que o telefone não tocasse e ele não tocou. Mas na segunda, infelizmente o telefone tocou, e aquilo que eu não queria ouvir, foi dito pelo meu pai, e eu não podia fazer nada, estava na capital baiana e só chegaria em SP de madrugada. Acabei indo direto para Penápolis, em um dos dias mais dolorosos da minha vida, a minha Vó, realmente tinha ido, estava deixando a gente aqui para torcer pelo CAP lá do céu. Nessa época, a temporada 2013 do CAP já tinha acabado e a “temporada” da minha avó também, ela era o novo reforço do times de anjos que olham por mim lá de cima. E no dia que o Palmeiras voltou à Série A, eu não estava no estádio, não por falta de  ingresso, vontade ou qualquer outra coisa relacionada ao futebol, mas porque eu estava de volta a Penápolis, na missa de sétimo dia da minha Vó, aquela que sempre dizia que ainda ia me ver falando do CAP na TV.

Depois desse segundo “tombo”, voltei para SP tentando focar na Pós e nas coisas boas que ainda poderiam acontecer, as coisas boas que eu esperava, não aconteceram, mas com certeza, minha Vó ficaria orgulhosa de me ver terminar a Pós, que ela sabia como poucos, que era um sonho pessoal realizado.  Antes da entrega, puder ver o Palmeiras ser campeão da Série B, até então, algo que não fazia parte dos meus planos de torcedor, talvez porque o momento não era muito de comemorar, ou talvez, porque a vitória do Penapolense naquele mesmo Pacaembu, tivesse me mostrado que o meu coração nunca foi dividido, ele só tinha se apaixonado pelo Palmeiras, mas que o “amor da vida” era o Penapolense. E a vida tem dessas, a gente passa muito tempo achando que uma paixão é o amor da vida, até ter a chance de “confrontar” as duas coisas.

A entrega do TCC e as datas da banca de defesa foram uma vitória pessoal em um ano que a “derrota” era dada como certa.  E depois de dar tchau para um irmão amazonense que eu ganhei em SP e que estava mudando seu rumo – e que eu achava que era o ultimo tchau do ano – recebo uma ligação, às 9 e meia da noite num sábado, avisando que o meu Vô Zeca, o outro capeano mais fanático desse mundo, também tinha nos deixado. No momento,  só consegui pensar em correr para a rodoviária, para poder dar adeus para alguém que por motivos banais, eu deixei de ter por perto. E mais uma vez, carregar o caixão foi uma das piores partes, e uma coincidência nada agradável, em menos de dois meses, eu refazia o caminho no cemitério, e enterrava meu avô praticamente no tumulo ao lado da minha Vó.  Não parei muito para pensar nisso, mas de uma coisa eu tenho certeza, a torcida por mim e pelo CAP “lá em cima” está reforçada e com dois reforços de peso, do calibre de Messi e Cristiano Ronaldo.

E depois disso tudo, chegou a hora de começar a dar o último adeus do ano, ou melhor, um pré-adeus; com o fim da pós, chegou a hora de tomar um novo rumo e deixar SP – a cidade que ao mesmo tempo me deu muita coisa, também me causou algumas das maiores decepções profissionais. A cidade que me deu também pessoas maravilhosas, o maranhense mais migué que eu conheci, um irmão parintinense, uma irmã macapaense, uma personal trainner que é jornalista e uma “nega” que será sempre a “minha nega”, passe o tempo que passar. Isso sem contar os inúmeros amigos que não caberiam aqui, mas que sabem que fazem parte dessa história de 2 anos.

E entre uma música brega, um axé ou uma música do Raça Negra, logo eu que não gosto de chorar em público, acabei desabando, primeiro com um texto da Cá e depois do texto da Rê. Acho que se sentir importante para alguém é uma das melhores sensações do mundo, ainda mais em um ano em que perdi pessoas especiais e essenciais, mesmo assim o universo conspirou a meu favor e me “deu” essas pessoas para me dar forçar para enfrentar por tudo isso e me fazer bem não importa como.

2013 está terminando, GRAÇAS A DEUS, não sei o que será de 2014, mas com certeza começarei o novo ano com as esperanças renovadas e com as energias recarregadas, não apenas por mim, mas por meus avós que estão me “olhando lá de cima” e que torcem por mim, como sempre torceram. E que venha 2014, nova cidade, novas expectativas e novos rumos, E que esse novo ano me dê de volta, não as pessoas que perdi, mas a vontade de nunca desistir.

[Crônica]: Mais um adeus de 2013… (e que seja último, por favor)

Já passei por tormentas em vários anos, na maioria deles, haviam pontos positivos e negativos, como em tudo na vida, mas confesso que 2013 está sendo diferente. 3 pessoas realmente importantes deixaram essa “terra de meu Deus” um pouco menos honesta, sincera e alegre. E o “terceiro” adeus eu dei hoje, para alguém que apesar das nossas diferenças, nunca deixou de ser um baita exemplo. Sim, alguém que passa necessidade para ver o filho formado, nunca vai deixar de ser um exemplo a ser seguido ou respeitado.

Falar do meu Vô Zeca é bem complicado, afinal, alguém que era “lanterninha” do cinema e que atrapalhava o clima dos casais requer um pouco de cuidado, brincadeiras a parte, como todo José Ortiz, era teimoso (acho que é genético, não sei porque).

Boa parte das minha lembranças da infância tem a ver com ele, talvez porque era ele que trazia meu cachorro quente todas as noites durante uns 10 anos (ou quase isso). Talvez porque se um dia a “febre Guga” me pegou e eu resolvi que seria tenista, foi ele que deu o maior apoio, inclusive indo comprar minha raquete em Araçatuba e dando abrigo todos os dias antes dos treinos.

Nos últimos tempos estávamos bastante distante, mas no segundo adeus do ano, tive tempo de ir tentar tirar o tempo perdido, conversamos por horas, lembramos histórias e demos risada, como sempre foi a cia dele.

Uma dessas história envolve um jogo de futebol na rua, um aparelho dentário no bolso do short e uma caçada em um terreno baldio – tudo isso para salvar o neto teimoso que insistia em tirar o aparelho para jogar futebol descalço na rua de casa e para arrebentar o dedão nas guias de sarjeta – como todo moleque com 10 ou 11 anos.

Hoje foi dia de me despedir de alguém que “cultivou” meu vício em esporte, me incentivando a ser o novo Guga, foi ele – vizinho do estádio e apaixonado pelo CAP (Penapolense), que me fez virar ainda mais capeano – e foi ele também que me “ensinou” que a melhor jantar que alguém pode ter é um cachorro quente e umas balas de sobremesa (que brotavam dentro do seu carro). Por isso Vô, se cuida e nos cuide, esteja onde estiver, e me espera, por que tenho certeza que um dia o senhor vai buscar um cachorro quente para a gente de novo e buzinar no portão quando chegar. Vá com Deus.

[Crônica]: “Agora (e por muito tempo) é que são elas”

Bom, com a chegada do fim do ano, chega a hora de fazer um balanço do ano, e sim, fiz isso depois que as aulas da Pós acabaram, na despedida do melhor amigo que fiz em SP, e tenho a mania de fazer isso sempre. E com o dia 20 se aproximando, vai ficando mais perto o “tchau” e a vontade de deixar claro a importância das pessoas nesses dois anos de São Paulo. Agora vou falar um pouco das “zubetes”, ou melhor, das “gurias  que fizeram parte da minha vida paulistana”. E de alguma forma,  tentei encaixar alguma coisa do esporte de forma direta ou indireta, assim como eu percebi que a cultura, em muitos casos, se fez presente no meu dia a dia, por conta de alguma dessas pessoas especiais.

Começando com a minha “irmã” em SP, a Carina é aquela pessoa que esteve comigo nos piores momentos – literalmente – de 2013, foi ela que estava comigo quando soube dos falecimento do meu tio e da minha vó – ainda em solo baiano. A sempre me deu uma força sem igual, é uma das pessoas mais sensacionais que conheci, não só em SP, mas nesses 26 anos de vida. Com ela aprendi um pouco mais sobre o Taekwondo, foi com ela que eu ri por várias madrugadas, com ela conheci outros estilos musicais, e com ela também fui obrigado a ver esses programas “chatos” de música, que ela é viciada. Além disso, me fez ganhar vários quilos, indo no Black Dog ou no Mc Donald’s às 5 da matina. Foi na companhia dela que fui pagar promessa em Aparecida e com ela que fui para Salvador, disposto a voltar em definitivo muito em breve.

Giovanna: é daquelas pessoas que posso ficar séculos sem conversar, que num papo de 5 minutos, já sei tudo que tá rolando. Foi um dos achados que a Pós me deu, mesmo saindo logo no começo do curso. Foi alguém que sempre esteve por perto, mesmo estando longe.  Sempre que marcamos um bar, o papo rende como se tivéssemos nos falados todos os dias. Sem contar que era a minha parceira na porção de batata frita. Além de tudo isso, é a são paulina mais fanática/doente que eu conheço, o “tomanoc*” não me deixa mentir. É daquelas pessoas que sei que posso confiar, e acho que a recíproca é bastante verdadeira.

Renata: conheci num domingo chato e sem graça, comendo pastel no Mercadão Municipal, desde o começo sabia da fama de “enrolada” e de que não saia de casa por nada no mundo. Mesmo assim, acabamos nos aproximando tanto que ela acabou virando minha confidente e minha “psicóloga” nos momentos mais complicados. Foram vários cafés – na presença de globais – e whatsapp o dia todo, rindo e falando bobeira. Com certeza é alguém que apareceu do “nada” e que vai ficar por muito tempo – espero que para sempre – na minha vida. É daquelas que basta uma mensagem ou um pouco de silêncio para saber que as coisas não estão bem. Sempre me deu força e me apoiou até quando eu mesmo não sabia se me apoiaria.  Além disso, é apaixonada pela seleção da Argentina e pelo Messi, a sempre consegue animar até o lugar mais desanimado, tem um senso de humor e uma simpatia que cativa, é difícil dizer, mas é a “preta” mais gente boa que eu conheci nesses 26 anos.

Malu: foi a última a entrar de fato na minha vida paulistana. Com o passar do tempo foi se aproximando e hoje dispensa comentários. De todas, com certeza, é a que mais me faz rir. É aquela companhia que eu poderia dizer que é sensacional, que conta histórias engraçadas e que ri dela mesma (ou na maioria das vezes, de mim, né?). Não importa se é almoço, janta ou qualquer outra coisa, quando estamos juntos, a única certeza é que vamos rir, e muito. Resolveu ser minha “personal” com direito a música e coreografia – quero só ver o resultado disso. Quero levar comigo, não apenas nesses dois anos, que nesse caso foi um ano, ou até menos que isso. Com certeza, quero rever quando vier para São Paulo e lembrar das bobeiras e das palhaças, e mesmo velho, rir até a barriga doer, porque tenho certeza que na companhia dela, risadas nunca vão faltar. E ainda tem um ps: conseguiu me enrolar por mais de 1 ano para ir ver um jogo no Pacaembu e jura de pé junto que é corintiana, mas nisso aí, eu não boto muita fé. Dizem que o que vale não é o tempo, mas a intensidade, e se for assim, com tantas risadas e bobeiras ditas, a intensidade já comprovou que vamos longe.

E sim, tiveram outras meninas que fizeram parte desses tempos em SP, mas com uma intensidade um pouco menor e com o convívio mais “reduzido”, mas que também possuem meu carinho e seu espaço nesses dois anos em que estive na terra da garoa.

Só tenho a agradecer a todas vocês pelos momentos sensacionais que passamos, cada uma com seu jeito único fizeram esses dois anos passarem mais rápido, e que cada sorriso não seja apenas um sorriso de uma boa lembrança, mas um sorriso de que tudo isso valeu MUITO a pena.

Obrigado por fazerem desse Zuba, um cara melhor, mais divertido, mais companheiro e até  – na maioria das vezes – mais besta, afinal de contas, esse sou eu.