Juazeirense-BA bate América-RN e garante vaga na Série C

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Juazeirense é o primeiro clube baiano a conquistar acesso à Série C (Foto: Divulgação/América-RN)

Jogando na Arena das Dunas, o América-RN precisava vencer a Juazeirense por três gols de diferença para garantir o acesso à Série C. Depois de fazer 3 a 0 em Juazeiro, o time baiano conseguiu segurar o empate em 1 a 1 neste domingo(13) e garantiu o primeiro acesso de um time baiano à Série C na história.

Mesmo com o estádio com quase 13 mil torcedores – o melhor público da Série D no ano – o Canção não se intimidou e saiu na frente com Salatiel, o Mecão conseguiu o empate com Cascata ainda no primeiro tempo. Com o resultado, a Juazeirense pela primeira vez estará na disputa da Série C, já o América-RN disputará a Série D novamente em 2018 para buscar uma vaga na Série C – o time foi rebaixado para a Série D em 2016.

Apontado como zebra no confronto – tinha 15 pontos contra 25 do América-RN, que era o melhor time da Série D – o time do interior baiano fez o dever de casa e venceu em casa por 3 a 0 no jogo de ida e administrou a partida de volta para comemorar a vaga na terceira divisão do futebol brasileiro.

O “clima de guerra” começou muito antes da bola rolar, durante a madrugada, os jogadores e comissão técnica da Juazeirense foram acordados com fogos em frente ao seu hotel, uma tática dos torcedores do América-RN. Na entrada no estádio, mais confusão, dessa vez os torcedores do Mecão lançaram objetos no ônibus da equipe baiana.

Se pelo lado baiano, o domingo é de muita comemoração pela vaga na Série C; do lado potiguar é uma temporada para ser esquecida: eliminação na primeira fase da Copa do Nordeste, fora das disputas de turno do campeonato estadual e eliminação em casa na Série D, mesmo com a melhor campanha até as quartas-de-final.

Salatiel brilha e Cascata tenta salvar o América-RN

Precisando de três gols para levar a decisão para os penaltis, o América-RN partiu para o ataque desde o primeiro minuto, mas sofria para furar a retranca do time baiano.  Sem conseguir chegar até a área tocando, o time da casa começou a arriscar de longe, com Marcos Júnior e Robson que fizeram Tigre fazer ótimas defesas e aparecer como destaque no começo do jogo. E na pressão e apoiado pela torcida, o América-RN acertou o travessão depois de ótima cobrança de falta de Cascata.

O time visitante buscava um contra-ataque para matar o jogo, e conseguiu o gol aos 35 minutos do primeiro tempo. Alex Sandro partiu em velocidade, driblou Richardson e bateu forte, o goleiro Fred espalmou e a bola sobrou para o artilheiro Salatiel, que bateu sem chances, abrindo o placar na Arena das Dunas.

Em desvantagem e precisando de 5 gols, o Mecão foi para o ataque e conseguiu diminuir ainda no primeiro tempo. Depois de ótima jogada de Cascata, o camisa 10 bateu forte de fora da área, sem chance para Tigre, fazendo 1 a 1.

América-RN parte para o desespero, mas Juazeirense garante o acesso

Precisando de 4 gols para garantir o acesso, o técnico Leandro Campos partiu para o ataque e colocou em campo Geovani, Robert e Sabão. Já a Juazeirense continuava com a mesma tática do primeiro tempo, esperando um contra-ataque para definir a partida e comemorar o acesso.

Com o relógio correndo contra o time da casa, os jogadores começaram a ficar nervosos e os erros de passe começaram a aumentar, melhor para o time visitante que fazia falta e segurava o jogo.

Antes do apito final, Alex Sandro teve a chance de matar o jogo, mas pegou mal na bola e o chute saiu fraco. Já o América-RN na base do desespero buscava jogada individuais, principalmente com Cascata e cruzamentos na área buscando Tadeu. Apesar do esforço, o time da casa não conseguiu reverter a vantagem do time baiano e viu o clube de Juazeiro comemorar diante de quase 13 mil torcedores americanos.

Salatiel faz gols decisivos e garante o Cancão na Série C

Depois de fazer campanhas ruins na Copa do Nordeste e no Campeonato Baiano, a Juazeirense começou bem a disputa da Série D e tinha como um dos principais destaques o atacante Sassá, que acabou sendo vendido para um clube da Coréia do Sul. Para repor a saída, a diretoria do Cancão de Fogo apostou no desconhecido Salatiel.

O jogador tinha passagens por clubes do interior de São Paulo e do Paraná e estava no Panambi, do Rio Grande do Sul.

Depois que chegou, o jogador disputou posição com Robert e acabou sendo decisivo no acesso do Cancão. O camisa 9 marcou 3 gols na Série D, todos na fase de mata-mata. Dois gols contra o América-RN, um na partida de ida e outro no empate que garantiu o acesso; e um diante do Fluminense de Feira-BA no duelo baiano nas oitavas de final.

Bahia consegue o primeiro acesso à Série C

Dos estados do Nordeste, apenas a Bahia nunca havia conquistado um acesso na Série D, desde que ela foi criada, em 2009.

De lá pra cá, alguns times baianos já bateram na trave. O último havia sido o Fluminense de Feira em 2016 – quando foi eliminado nas quartas-de-final para o Volta Redonda-RJ.

Já em 2014 foi a Jacuípense, que foi eliminada nas quartas de final para o Confiança-SE e ficou perto do acesso.

Um dado interessante no Campeonato Brasileiro é que tirando os acessos da dupla BaVi, a Juazeirense foi a primeira equipe do estado a conseguir subir de divisão no futebol nacional.

A temporada 2017

Nem o mais otimista torcedor da Juazeirense poderia acreditar no acesso à Série C no começo da temporada. O clube do interior sofreu nos primeiros meses do ano. O time não conseguiu repetir a boa participação de 2016 no Campeonato Baiano e brigou até as últimas rodadas contra o rebaixamento. O time teve três vitórias (1 a 0 no Flamengo de Guanambi, 1 a 0 no Galícia e 4 a 1 no Bahia de Feira),  três empates (1 a 1 com o Jacobina, 2 a 2 com o Atlântico, 0 a 0 com o Vitória da Conquista) e quatro derrotas (2 a 1 para o Vitória, 2 a 1 para o Bahia, 1 a 0 para a Jacuípense e 2 a 1 para o Fluminense de Feira) e ficou apenas na 7ª posição – com essa classificação, o time nem disputaria a Série D em 2018.

Na Copa do Nordeste, a equipe estava no Grupo C com: Sport-PE, River-PI e Sampaio Corrêa-MA. A equipe baiano foi a lanterna do grupo, com apenas uma vitória e cinco derrotas, ficando em 4º lugar no grupo com apenas três pontos. A única vitória da equipe foi diante do Sampaio Corrêa-MA por 3 a 0.

Quando começou a Série D, a história começou a mudar, na primeira fase num grupo que contava com: Souza-PB, Coruripe-AL e Central-PE, o time baiano foi o primeiro colocado, com nove pontos – foram duas vitórias, três empates e apenas uma derrota. Essa derrota inclusive foi na 6ª rodada, quando o clube baiano já estava garantido na próxima fase e foi derrotado em casa pelo Coruripe-AL por 1 a 0.

Na segunda fase, o time teve um adversário baiano, o Jacobina e depois de empatar fora de casa em 2 a 2, fez o dever de casa e venceu por 3 a 1, garantindo a vaga nas oitavas-de-final.

Na fase seguinte, novamente um duelo baiano, dessa vez contra o Fluminense de Feira, um dos favoritos ao acesso. Em Feira de Santana, 3 a 3, num jogo emocionante do começo ao fim. No jogo de volta, em Juazeiro, o empate em 0 a 0 garantiu o time nas quartas-de-final pelo critério do gol marcado fora de casa.

E na disputa pelo acesso, como tinha a pior campanha entre os oito clubes classificados, acabou ficando na chave ao lado do até então favorito, América-RN. E o final da história, todos já conhecem. Vaga na Série C garantida para 2018 e festa em Juazeiro.

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Pernambuco é o maior vencedor da “nova” Copa do Nordeste

Desde que voltou a ser disputada em 2013, a Copa do Nordeste passou por algumas mudanças, o número de participantes – passou de 16 para 20 clubes – e também a inclusão de novos estados a partir de 2015 – com entrada do Maranhão e do Piauí.

A história mostra que a primeira Copa do Nordeste foi disputada em 1976, com um título do Vitória/BA. O campeonato voltou em 1994 com o título do Sport/PE. Depois de uma pausa de dois anos (1995 e 1996), a Copa do Nordeste foi disputada de 1997 até 2003. Voltando para uma única edição em 2010. 3 anos depois, em 2013, a competição voltou em definitivo, no novo formato que se mantém até hoje.

E alguns dados chamam a atenção desde que a competição voltou depois de três anos paralisada.

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Pernambuco tem dois títulos, Ceará e Paraíba possuem 1 cada (Arte: Blog do Zuba)

O mais importante é sobre os títulos, o estado de Pernambuco tem duas conquistas, contra 1 de Ceará e outro da Paraíba. O estado da Bahia e Alagoas já chegaram à final, mas ficaram com o vice-campeonato. Já o Rio Grande do Norte, nunca chegou à essa fase.

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Vagas por estado na Final da Copa do Nordeste de 2013 a 2016 (Arte: Blog do Zuba)

Outro fato que chama atenção é que Paraíba e Ceará que não possuem nenhum time na Série A do Brasileirão, possuem mais ida à final que a Bahia, que teve Bahia e Vitória na elite do Brasileirão nos últimos anos.

Três estados que disputam a Copa do Nordeste nunca passaram para a segunda fase. Um deles é o Sergipe, que está desde 2013, quando a competição voltou. Os outros dois estados são Maranhão e Piauí, que entraram em 2015 e disputaram por duas temporadas.

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Vagas por estado nas edições  da Copa do Nordeste entre 2013 e 2016 (Arte: Blog do Zuba)

Outro ponto que chama atenção é que o melhor aproveitamento dos estados entre quartas-de-final e semifinal é justamente da Paraíba com 3 vagas na quartas-de-final e duas nas semifinais, um aproveitamento de 66,66%. Já a Bahia, que classificou 5 vezes para as quartas e chegou 3 vezes à semifinal, mas nunca conquistou o título.

O maior campeão, Pernambuco, esteve 9 vezes nas quartas-de-final e 4 vezes na semifinal, um aproveitamento de aproximadamente 44,4% contra 60% da Bahia.

Os outros estados foram o Rio Grande do Norte com 4 vagas nas quartas e uma vez na semifinal (25% de aproveitamento), Alagoas chegou 3 vezes nas quartas e somente em uma semifinal (33,33% de aproveitamento). O segundo estado com mais participações nas quartas-de-final é o Ceará que chegou 8 vezes e passou de fase em 4 oportunidades.

O que fica claro é que nem sempre o poder financeiro é o que faz a diferença no maior campeonato regional do Brasil, resta saber se Pernambuco continuará dominando, ou se teremos alguma surpresa na disputa deste ano.

Futebol Baiano: um eterno BaVi

O futebol baiano vem sofrendo nos últimos anos de uma dependência dos seus dois grandes clubes, Bahia e Vitória são os únicos clubes que possuem calendário anual garantido, além de outros privilégios (cotas de televisão, patrocinadores) que os times do interior estão longe de alcançar, pelo menos no atual momento do futebol da Bahia.

Nos últimos 15 anos, ou seja, do ano 2000 até 2015 (16 campeonatos estaduais) apenas dois títulos ficaram longe da capital. 14 títulos divididos entre Bahia e Vitória, com o rubro negro com uma grande vantagem (10 a 4).

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Relação de títulos estaduais de 2000 até 2015

Apenas o Bahia de Feira e o Colo-Colo conseguiram quebrar essa hegemonia da dupla BaVi no Baianão. E uma coincidência, os dois enfrentaram o Vitória na final.

Outro fato que chama atenção é que alguns estados, como Sergipe, possuem time na disputa da Série C do Campeonato Brasileiro, enquanto times como Vitória da Conquista, Colo-Colo e outros times tradicionais da Bahia disputam apenas a Série D – isso quando conseguem uma boa classificação no estadual.

Um dado interessante é que desde que foi criada a Série D, nunca um time baiano disputou a Série C – seja sendo rebaixado da Série B, seja conseguindo o acesso na Série D. A última participação de um clube baiano na Série C foi em 2008, quando Itabuna, Atlético Alagoinhas e Vitória da Conquista disputaram a competição. O time de Alagoinhas caiu ainda na primeira fase, os outros dois na segunda.

Vale lembrar que os últimos clubes baianos que conseguiram o acesso na Série C foram Vitória e Bahia. O Vitória disputou a Série C por uma temporada, enquanto o Bahia precisou de dois anos para subir.

O abandono com clubes do interior é visível a cada campeonato estadual disputado, a diferença entre “grandes” e “pequenos” é de fazer inveja no futebol espanhol – que tem por tradição apenas Real Madri e Barcelona fortes – contra os times menores que vez ou outra aprontam uma zebra. Na Bahia, o cenário é o mesmo.

A maneira de organizar campeonatos da Federação Baiana de Futebol mostra que os times do interior são mesmo um capitulo à parte. A Copa Governador do Estado da Bahia que é uma competição para os times menores possuírem calendário no ano todo é disputada por apenas 8 clubes, dentre esses dois times B de Vitória e Bahia, ou seja, apenas 6 clubes do interior.

O campeão do torneio pode escolher entre uma vaga na Série D ou na Copa do Brasil, enquanto que o vice fica com a vaga restante. Em 2015, o campeonato foi conquistado pelo Fluminense de Feira, com o Juazeirense como vice-campeão.

Apesar de apenas o Vitória conquistar o acesso para a Série A do Brasileirão, a diferença de aproveitamento dos clubes baianos que disputaram campeonatos nacionais em 2015 é gigantesca.  Enquanto Bahia e Vitória disputavam a Série B, Serrano e Colo-Colo estavam na Série D.

E o aproveitamento de Colo-Colo e Serrano não foi nada animador, tanto é, que os dois clubes não passaram da primeira fase da competição.

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Aproveitamento dos times baianos em campeonatos nacionais em 2015

Outro dado importante é que o clube baiano que chegou mais perto do acesso na Série D foi a Jacuipense que foi derrotada pelo Confiança nas quartas-de-final em 2014.  Antes disso, a melhor campanha era a do Fluminense de Feira – em 2010 foi eliminado na segunda fase pelo Brasília/DF e em 2009 foi eliminado na segunda fase pelo Tupi/MG.

Fluminense de Feira e Flamengo de Guanambi disputam o título da Segundona do Baiano

Depois da definição dos finalistas no último final de semana, a Federação Baiana de Futebol divulgou os horários e locais para as duas partidas das final da Segunda Divisão do Campeonato Baiano, entre Fluminense de Feira e Flamengo de Guanambi.

A primeira partida será no próximo domingo (21), às 15 horas, no estádio 2 de Julho, em Guanambi. A decisão será no dia 28, às 15h30, no Joia da Princesa, em Feira de Santana.

O Fluminense tem melhor campanha na primeira fase e por isso têm a vantagem de jogar por dois empates ou por uma igualdade no placar agregado para garantir o título da Segundona.

Os dois times se enfrentaram na segunda rodada da primeira fase e o time de Feira de Santana venceu por 2 a 0, com dois gols de Deon, em Guanambi.

Fluminense venceu o "Fla-Flu Baiano" na primeira fase.

Fluminense de Feira venceu o “Fla-Flu Baiano” na primeira fase na casa do Flamengo de Guanambi. (Divulgação)

Um dos destaques da campanha do time do Fluminense é o apoio da torcida, que tem lotado o Joia da Princesa e nos quatro jogos que fez em casa, atingiu uma média de 6.340 pagantes/partida.

Uma comparação básica com os times baianos que disputam a Série B do Campeonato Brasileiro, o time de Feira de Santana tem uma média melhor que o Vitória, por exemplo, que tem média de 4.590 pagantes/partida. Já o Bahia é o líder em público na Série B, com 19.494 pagantes/partida e o Flamengo de Guanambi tem média de 1.520 pagantes/partida.

Se disputassem a Série B do Brasileirão, o Fluminense de Feira teria a 6ª média de público da competição, enquanto o time de Guanambi seria o 15º.

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Times baianos não ficam de fora da elite do futebol brasileiro desde 2007

Desde que começou a “Era dos Pontos Corridos”, a Bahia ficou apenas três anos (2005, 2006 e 2007) sem nenhum representantes na elite do futebol brasileiro. No entanto, nos últimos onze anos, os dois maiores times do estado representaram juntos a Bahia apenas três vezes (2003, 2013, 2014).

Faltando cinco rodadas para o fim do Brasileirão 2014, os dois times correm o risco de rebaixamento; o Vitória está a dois pontos da Chapecoense, primeiro time fora da zona do rebaixamento. A situação do Bahia é mais complicada. O time soma 31 pontos e está a cinco da equipe catarinense, faltando 15 pontos em disputa.

pontuaçao

Confira o gráfico detalhado

Segundo matemáticos, a pontuação que pode salvar do Z4 é 45 pontos, mesma pontuação de 2012 e 2013. Faltando 15 pontos (cinco jogos) em disputa, o Bahia precisa de cinco vitórias para chegar aos 46 pontos. Já o Vitória precisa vencer quatro das cinco partidas que ainda vai fazer para chegar aos 46 pontos que livram a equipe do pesadelo da Série B.

Um fato que chama atenção é que nos cinco anos em que esteve na Série A (2003, 2011, 2012, 2013 e 2014), o Bahia venceu o Campeonato Baiano apenas em duas ocasiões – 2012 e 2014.

Já o Vitória esteve na Série A em sete anos (2003, 2004, 2008, 2009, 2010, 2013 e 2014) e venceu o Baianão em seis oportunidades, só perdeu o estadual este ano para o arquirrival – 2003, 2004, 2008, 2009, 2010, 2013.

classificação

Confira o gráfico detalhado

Nos anos que disputou a Série A, o Bahia nunca passou da 12ª posição em 2013. O Vitória alcançou a melhor posição de um clube baiano na “Era dos Pontos Corridos” em 2013, quando ficou em 5º lugar, e por pouco não conseguiu uma vaga na Libertadores da América. Antes disso, o time tinha ficado em 10º lugar em 2008.

* A pontuação e classificação dos clubes em 2014 está atualizada até a 33ª rodada do Brasileirão.