E já faz 1 ano…

Faz bastante tempo que não escrevo nada por aqui, mas datas especiais merecem que eu reapareça por aqui. E parece que foi ontem, eu ainda estava em Salvador, arrumando as malas pra voltar para São Paulo, com esperança renovada e com as baterias também recarregadas.

E no final da tarde, quando terminava de colocar a roupa suja na mala, o celular tocou, vi que era meu pai e já sabia qual era a notícia. Ainda assim, atendi e ouvi a notícia que talvez tenha me deixado mais triste até aquele momento da minha vida, minha Vó Tonha havia falecido, (1 mês e pouco depois veio a notícia da morte de meu Vô Zeca, que teve o mesmo peso e dor).

Terminar de arrumar a mala foi uma verdadeira prova de resistência física e emocional. Tentar desligar de tudo e focar só nas roupas, mas quem passou por algo parecido sabe que isso é impossível.

Depois que entrei no avião, pela primeira vez, não consegui dormir um segundo sequer. Chegando em SP de madrugada, foi o tempo apenas de me arrumar e pegar estrada, contando assim, parece que tudo isso aconteceu a pouquíssimo tempo, até pela riqueza de detalhes que tudo isso ainda tem dentro da minha cabeça.

Mas hoje, 21 de outubro, faz 1 ano que tudo isso aconteceu, e por coincidência ou não, eu novamente estou em Salvador, dessa vez, não vai ter ligação do meu pai com notícia ruim, talvez tenha da minha mãe, querendo chorar e desabafar, como acabou de acontecer, e isso é a coisa mais normal do mundo, estranho seria se ela não ligasse. Foi dia também de ir ao Bonfim, lugar que ela tanto queria conhecer, assistir uma missa em memória dela, e ver um “filme” passar pela minha cabeça.

E de lá pra cá, quanta coisa mudou, eu mudei de cidade, a família toda teve que se segurar e mesmo com saudade gigantesca, seguiu a vida e buscando seus objetivos, até para fazer ela feliz lá no time do céu.

E o CAP, o que dizer do time que fazia ela acordar no domingo, 9 da manhã, pra ouvir os jogos da última divisão do Paulistão? Agora está na elite do futebol paulista – e isso ela pode ver ainda em vida – esse ano foi um pouco mais longe, chegou nas semifinais, com direito a eliminação do São Paulo dentro do Morumbi, e sim, não tenho a menor dúvida de que ela lá do céu, vibrou muito quando Neto fez o 5º pênalti e classificou o CAP. E deve ter vibrado também com o baita jogo que o time fez diante do Santos na semifinal.

E deve estar orgulhosa com a faixa de campeão do interior que o Penapolense recebeu esse ano – interior esse que sempre foi o orgulho dela e de toda a família, que mesmo mudando, nunca esqueceu da cidade onde nascemos e crescemos e para onde sempre voltamos quando precisamos.

A saudade só aumenta, e não tem como ser diferente, mas sei que independente de onde ela estiver, ela continua cuidando não só de mim, mas de todo mundo da família. E pelo segundo fim de ano, sei que não vai ter aquela torta assada com atum, que ela tanto gostava de fazer porque sabia que todo mundo adorava e acabava comendo mais que as carnes e afins.

Mas sei também, que de um jeito ou de outro, motivos pra ela se orgulhar da gente, nunca vai faltar. Esteja onde estiver, eu te amo Vó! E cada dia mais, morro de saudade da senhora.

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[Crônica] Com coração, emoção e benção dos meus anjos e orixás

crônica

E um ano após aquele 1 a 0 “chorado” entre Penapolense e São Paulo com um gol contra do zagueiro Jaílton, que eliminou o time de Penápolis. A volta para casa foi um misto de alegria pelo desempenho do time e de tristeza pela injustiça da eliminação. Mas como disse na época, sabia que se ouvisse meus avós a resposta seria: “perder é diferente de ser derrotado”.

E como a vida tem dessas coisas, praticamente um ano depois, os dois times voltaram a se encontrar pelas quartas-de-final do Paulistão, novamente no Morumbi. Mas dessa vez, algumas coisas tinham mudado. Dois dos torcedores mais fanáticos do CAP não estavam mais em Penápolis acompanhando o jogo por rádio ou TV, mas, estavam sim, “lá de cima” assistindo o jogo por outro ângulo.

Eu sabia também que não teria com quem conversar sobre o jogo ou afins depois dos 90 minutos, mas sabia também que de algum lugar eles estariam torcendo pelo Penapolense, como sempre.  E além disso, deixei São Paulo para morar em Salvador e por isso não pude ir ao Morumbi desta vez.

E o jogo foi um teste pra cardíaco, não pelas chances perdidas pelos dois times, mas sim pelo cronômetro que demorava para passar e com a possibilidade de “vingar a injustiça” que tinha ficado do ano anterior.  E foi assim durante os 90 minutos, com mensagens chegando no celular, dizendo que o time tava jogando bem, que merecíamos a vaga e por ai vai.

Depois do apito final, a tensão tomou conta e sim, deixei o celular de lado e não conseguia dividir a atenção entre a disputa de pênalti na TV e o WhatsApp. O mesmo ritual feito em 99 na disputa de pênalti entre Palmeiras e Deportivo Cali, pela final da Libertadores; acho que dessa vez o coração estava mais apreensivo, afinal a ligação com o Penapolense é bem maior. E aí, foi a hora de “abusar” de todos os Santos – com escapulário e fitinha do senhor do Bonfim nas mãos (já que estava na Bahia, era hora de contar com o apoio dos Santos e Orixás, sem esquecer dos meus avós que tinha certeza que estavam comigo de algum jeito).

E foram passando as cobranças: primeiro Guaru; depois Petros; na terceira cobrança do time do Morumbi, Rodrigo Caio bateu e Samuel fez talvez a defesa mais importante da história do CAP; depois, foi a vez Washington e Douglas Tanque, e todo mundo fez; na última cobrança, foi a vez de Neto encarar Rogério Ceni e depois da cobrança e do gol, foi a vez de comemorar. Não foi um título, mas uma vitória que fez um filme passar pela minha cabeça, desde aqueles domingos às 9 da manhã pela 5ª divisão estadual ao fato inédito de chegar à semifinal do Paulistão da 1ª divisão. E mais do que isso, sabia que em algum lugar do céu, tem dois “velhinhos” felizes, com um sorriso que toma conta do rosto todo e com vontade de me dizer: “tenha calma, que as melhores coisas estão guardadas”.

Pode ser que o CAP seja eliminado pelo Santos no próximo domingo, mas a certeza é uma só: mais uma vez o Penapolense fez história e Salvador pôde acompanhar o “carnaval de um homem só” como disse um amigo baiano.

[Crônica] “Um domingo para nunca mais esquecer”

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O domingo prometia fortes emoções no jogo entre Palmeiras e Penapolense, um torcedor em especial – esse que vos escreve – iria pela primeira vez, aos 25 anos, assistir suas duas equipes se enfrentarem em uma partida oficial, válida pelo Campeonato Paulista.

Depois de uma viagem rápida, de Jundiaí até São Paulo, foi só deixar a mochila em casa e passar na casa do amigo amazonense, que topou acompanhar a partida histórica, no caminho até o estádio o pensamento era um só:  “que o CAP perca de pouco, não pode tomar goleada” e o papo sobre a última partida (contra o Mogi) me fez desanimar ainda mais e desacreditar em “milagres”.

Primeiro, entramos na fila errada, depois subimos uma escada típica daquelas que você vê um dia e diz que só subiria para pagar promessa – mal sabíamos que estávamos pagando uma promessa de um resultado histórico.

Na hora de comprar o ingresso, presenciamos um “velhinho engraçado” com 3 cartazes sobre o CAP – que eu acredito que ele queria que aparecesse na transmissão da TV e confesso que depois que entrei na arquibancada não o vi mais. Antes de entrar, ainda tivemos um pequeno contratempo, o Campos havia esquecido sua carteirinha de estudante e teria que pagar a entrada inteira, mas já estávamos ali, não iriamos voltar e ver o jogo pela TV, pagamos e entramos no Pacaembu frio e bastante vazio.

Assim que entrei comecei a procurar meu tio, um “apaixonado”, literalmente, pelo CAP – que havia saído de Penápolis às 6 horas da manhã e chegado em São Paulo às 2 da tarde – logo o vi acenando e fui até lá.

Na hora do time entrar em campo, chamaram meu primo de 5 ou 6 anos para entrar com os jogadores do CAP, mas acho que o lado “interiorano” falou mais alto e aquele estádio “gigante” o assustou, ele preferiu ficar ali, do lado do meu tio e do seu irmão.

O jogo começou e logo veio o 1º gol do Palmeiras – a primeira coisa que passou na minha cabeça foi: “vai ser goleada, p*** que pariu viu”. Na sequência, veio o empate e a sensação foi “pelo menos não vai ser de zero”. 5 minutos depois, veio a virada, apesar da chuvinha fina que incomodava um pouco, comemorei a virada como nunca havia comemorado nenhum título ou gol, a emoção foi tanta que a pulseira do relógio estourou  e o relógio, ou o que sobrou dele,  foi parar 3 degraus abaixo de onde eu estava, mas isso era o que menos importava, afinal, o Penapolense estava vencendo o Palmeiras dentro do Pacaembu.

Logo veio a fome e a lembrança de que não tínhamos nenhum real para comprar as famosas “porcariadas” dos estádios (cachorrão, batata frita, pipoca e afins), pois havíamos gastado o $$ com os ingressos, veio também a lembrança de que se tivéssemos comprado a capa de chuva – ainda fora do estádio, não estaríamos ali tomando chuva “felizes” da vida – com mais de 300 penapolenses de vários lugares e que se “encontraram” por causa do futebol – já havia sido assim ano passado, em Campinas, quando o time conquistou o acesso diante do Red Bull Brasil.

No intervalo, foi hora de pegar um “empréstimo” com meu tio, pois a fome batia e o jogo não “voltava”. Então foi a hora de matar a fome e comer aquelas porcarias que fazem ir ao estádio valer a pena.

O segundo tempo começou e logo aos 10 minutos, uma expulsão um tanto quanto estranha deixou o Penapolense com 10 jogadores em campo e logo surgiram aqueles comentários “esse juiz tá comprado”, “o Palmeiras já deu mala branca pra esse filho da p***”, entre outros, já conhecidos por quem vai aos estádios brasileiros.

A chuva não parava e começava a aumentar na mesma intensidade que o Palmeiras pressionava em busca do empate, mas o alviverde parava em uma excelente atuação de Marcelo (Ex- Corinthians e Bahia) – que tinha apelido de Horácio (braço curto) nos últimos clubes que defendeu e que chegou “um pouco” fora de forma e não passava muita confiança para a torcida.

A garoa diminuiu e a pressão palmeirense também, e depois de um contra ataque – arma do Penapolense – surgiu um escanteio que foi cobrado por Guarú, depois disso veio o “ápice” da tarde, um penapolense de nascimento, Perez – antigo capitão da equipe nos dois acessos do clube – subiu de cabeça, chegou antes do goleiro Fernando Prass e fez 3 a 1, praticamente garantindo a vitória histórica com uma pitada do destino – era a primeira partida contra um clube grande e a vitória viria com gol do único penapolense no elenco capeano – na hora do terceiro gol pude ver meu tio com mais de 40 anos e meu primo com apenas 5, chorando por conta de um jogo de futebol, por causa de um time, de um momento que ficaria sim marcado e que será contado diversas vezes, sempre lembrando de um detalhe diferente.

No apito final, só restou comemorar algo que nem o mais otimista dos penapolenses poderia apostar, uma vitória histórica com “requintes de crueldade com os corações penapolenses”, uma vitória que com certeza será lembrada por muito tempo, e que com certeza, comprova que o futebol é realmente fascinante, nem sempre o melhor vence e nem sempre o time do interior vai ser “saco de pancada” dos times grandes.

A volta para casa foi uma mistura de felicidade e “sonho”, pois como já disse, a ficha de tudo ainda não caiu, mesmo revendo os gols na internet, acho que vou demorar alguns dias, meses ou quem sabe anos para acreditar que o “meu Penapolense” venceu o “meu Palmeiras”.