Sudeste continua na liderança em número de clubes na Série A e B; Nordeste e Sul empatam em segundo lugar com 10 clubes cada

Não é novidade que o futebol do Sudeste é o maior vencedor de competições nacionais e, graça a isso, ficou conhecido como o “eixo Rio-São Paulo” – esquecendo inclusive o futebol mineiro, que teve bastante participação nas conquistas da região.

O fato é que São Paulo esteve com vários clubes em destaque, não somente os quatro grandes da capital, mas também bons times vindos do interior. Bom exemplo disso são clubes como: a Ponte Preta, Guarani, São Caetano e Portuguesa, que nunca foram considerados grandes, mas possuem representatividade no futebol brasileiro.

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*Estimativas de 2015 com base na classificação da Série A e B no dia 30 de outubro de 2014

Mas o cenário para os clubes de São Paulo e da região Sudeste de uma maneira geral, gera desconfiança. E o exemplo dessa queda do futebol paulista e da região é visível pelos números principalmente na Série B, competição onde metade – 10 clubes – já foram de Rio/São Paulo/Minas, mas atualmente o número caiu para 7, igual ao Nordeste.

Essa queda fica evidente quando pegamos como exemplo clubes como São Caetano, Guarani e Portuguesa, que já foram finalistas do Campeonato Brasileiro, e no caso do Bugre, até campeão nacional. Hoje amargam o gosto da Série C ou Série D do Brasileirão, sem grandes perspectivas de voltarem a ser destaques no cenário nacional. Essa queda do futebol paulista influencia muito os números do Sudeste, já que a maior parcela dos clubes da região, sempre foi do estado de São Paulo.

No caminho inverso, vem a região Nordeste, que, apesar de ter apenas 3 clubes na Série A, possui 7 clubes na Série B, mostrando que o futebol nordestino está voltando a crescer, depois de um tempo estagnado e quase chegando ao “fundo do poço”.

Essa volta por cima do futebol na região nordeste é mais clara quando pegamos clubes para exemplificar, nesse caso, o Sampaio Côrrea-MA e o Santa Cruz-PE. A média de público dessa região sempre foi um caso a parte, já que mesmo nas divisões menores (Série C e Série D), o número de torcedores era muito maior que de vários clubes da Série A, por exemplo. No entanto, mais do que torcedores apaixonados, os clubes nordestinos começaram a se estruturar para que, a médio prazo, pudessem fazer frente a clubes do Sul e Sudeste.

O resultado já está aparecendo. Na Série B, Sampaio e Santa Cruz fazem boas campanhas e brigam pelo acesso à Série A, isso poucos anos depois de estarem na Série D do Brasileiro – o Sampaio Côrrea-MA subiu da Série D para a Série C em 2012, e da Série C para a Série B em 2013 e pode subir para a Série A em 2014. Já o Santa Cruz-PE subiu para a Série C em 2011, e para a Série B em 2013, vencendo o próprio Sampaio Côrrea na final.

Esse crescimento na região NE também pode ser explicado pela volta da Copa do Nordeste, competição que era tradicional e acabou esquecida por algum tempo. Com a volta da competição, os times se preparam mais que nos campeonatos estaduais, que são considerados por muitos especialistas apenas como uma forma de preencher o calendário dos clubes, principalmente os pequenos, que não possuem vaga em nenhuma divisão do Campeonato Brasileiro.

A Copa do Nordeste consegue fazer que times “menores” consigam disputar partidas contra adversários da mesma região, mas de outros estados, aumentando a competitividade dessas equipes, principalmente em campeonatos menores – como Série B, Série C e Série D.

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*Estimativas de 2015 com base na classificação da Série A e B no dia 30 de outubro de 2014

Outra região que tem chamado atenção, principalmente na Série A, é o Sul. Marcado principalmente pelos clubes do Rio Grande do Sul e Paraná, a região tem agora um número grande de clubes de Santa Catarina na Série A – são 3 clubes catarinenses, contra 2 gaúchos e 2 paranaenses.

E na Série B, a situação não é diferente. No G4, dois times –Joinville e Avaí – são de Santa Catarina e podem aumentar ainda mais a presença do estado catarinense na elite do futebol nacional. Se no começo dos anos 90 e 2000, o Rio Grande do Sul despontava como o “carro chefe” da região, com equipes como Juventude, Caxias, Brasil de Pelotas, a realidade hoje é outra, e Santa Catarina, apesar da pouca relevância nacional, toma a frente na região Sul e é o clube com maior presença nas duas principais divisões nacionais.

Esse cenário é possível graça ao investimento em infraestrutura que os clubes catarinenses fizeram, e o projeto a médio prazo, com clubes subindo como Joinville e Chapecoense – que foi a grande surpresa da Série B em 2014.

Outro fato que contribui para esse crescimento de Santa Catarina é a disputa do Campeonato Catarinense, mais enxuto que os estaduais de Rio e São Paulo, por exemplo, e com mais atenção aos clubes “menores”, com menos privilégios aos “grandes”, diferente de Rio e São Paulo, que privilegiam os clubes grandes até mesmo no campeonato estadual.

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Apesar do grande domínio do futebol do Sudeste nas duas principais divisões do futebol nacional, Sul e Nordeste já começam a mostrar força e tentam diminuir essa diferença. Enquanto os clubes nordestinos apostam em projetos para reerguer o futebol de clubes tradicionais, os clubes do Sul apostam em projetos de times menores, com possibilidade de crescimento e fortalecimento no cenário nacional. Essas propostas vão na contramão do futebol do sudeste, que continua apostando apenas nos clubes considerados grandes e esquecendo dos clubes do interior – que já foram destaques e ajudaram a consolidar a força do sudeste no futebol brasileiro.

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[Crônica]: A primeira vez

Depois de quase um mês de muita tempestade, aproveitei a companhia da minha mãe no último sábado, e resolvi levá-la pela primeira vez em mais de 50 anos ao estádio. O jogo escolhido foi Palmeiras e Joinville. Não era o mais animado e muito menos o que prometia ser o mais emocionante, mas o estádio é um lugar que me acalma e queria que minha mãe também sentisse essa calma pela primeira vez.

Um dia antes, já havia levado ela e meu irmão ao Museu do Futebol, um dos lugares mais bacana de SP (na minha modesta opinião). A visita foi legal e deu pra mostrar um pouquinho do que é o futebol para alguém que não é tão viciado/apaixonado por esse esporte como eu.

Depois da visita ao museu, foi a hora de comprar o ingresso do jogo, uma verdadeira via-sacra, já que nem os próprios seguranças do estádio sabiam dizer onde estavam sendo vendidos. O resultado dessa “pequena” falta de informação foi uma volta completa ao redor do Pacaembu, até achar uma bilheteria aberta.

Com os ingressos comprados, era só esperar o sábado chegar. E o grande dia chegou com uma pequena parada antes de ir para o Pacaembu, ir até a Barra Funda levar meu irmão para pegar o “buzu”.

Depois só mais um táxi e estávamos na Praça Charles Miller, onde todo aquele clima de jogo já tomava conta do local. Resolvi pegar a arquibancada verde, para ficar bem perto da parte mais animada no estádio e minha mãe parecia mais admirada a cada passo que dava.

Entramos bem antes, ficamos quase meia hora esperando o jogo começar, e a cada minuto o estádio parecia mais cheio, e minha mãe já estava se sentido em casa e tentava adivinhar o número de pessoas que estavam ali.

O jogo começou e o “desespero” que já havia presenciado nos jogos assistidos pela TV ficou ainda mais evidente ao vivo. Os xingamentos (acho que aprendi com ela) também faziam parte, eram na proporção de 11 em 10 palavras ditas por ela. Para coroar o dia veio o primeiro gol, de Leandro, exatamente no gol “perto” da gente, e deu pra ela ver praticamente atrás do gol. E ao que parece, ela gostou e comemorou bastante.

No segundo tempo, a expulsão do mesmo Leandro a fez xingar bastante, muito mais do que muito palmeirense que estava por perto, e de longe ela parecia ser a mais animada torcedora das redondezas.

Na hora do segundo gol (de Juninho), apesar de ter sido no gol do tobogã e mais longe, fui obrigado a ouvir: “eu sou pé quente, tenho que vir sempre”; eu rindo respondi que também só tinha presenciado vitórias estando ali. Mas na hora do 3º gol, tive que dar o braço a torcer, realmente a “velha” tinha dado uma baita sorte para o Verdão.

Na saída do estádio, o nosso sorriso era visível, e um programa onde normalmente os pais levam os filhos foi invertido, um filho levou a mãe, e o melhor de tudo, ela gostou. Ver o sorriso da minha velha depois de tanto tempo “triste” valeu muito mais que os 3 pontos do jogo e com certeza, vai valer muito mais que o título da Série B que está chegando.

Esse sábado vai ficar marcado, não por ter sido uma vitória – em cima do Joinville – mas por ser a primeira vez que levei a minha mãe ao estádio. E já ficou a promessa, se tudo correr bem, iremos no Tenentão na primeira oportunidade, para ver nosso CAP, seja contra quem for, mas esse programa, vai ser com a família toda: pai, mãe e irmão, porque são momentos como esse que fazem o futebol ser tão apaixonante, pelo menos pra mim.