Clubes do Nordeste e Sudeste foram maioria na Série D de 2015

A Série D do Campeonato Brasileiro terminou no último sábado com o título do Botafogo de Ribeirão Preto/SP diante do River/PI. A final da competição foi apenas um espelho da divisão de clubes deste ano, na primeira fase foram 40 clubes divididos em 8 grupos de 5 times.

O Nordeste e o Sudeste foram as regiões que mais tiveram clubes na disputa da competição nacional em 2015. Foram 12 nordestinos e 9 clubes do Sudeste – completam a lista 7 times do Norte, 6 do Sul e 6 do Centro Oeste.

Primeira fase da Série D – Nordeste e Sudeste são os destaques

Primeira fase da Série D – Nordeste e Sudeste são os destaques

A divisão fica ainda maior quando se analisa as equipes que passaram para a segunda fase (oitavas de final).  Enquanto Sudeste e Nordeste continuam em destaque, o Centro-Oeste praticamente desaparece nas estatísticas.

Na segunda fase duas coisas chamam atenção, o aproveitamento de 50% dos clubes do Sul – de 6 clubes na primeira fase, 3 se classificaram para as oitavas. E o aproveitamento péssimo dos clubes do Centro-Oeste que de 6 clubes apenas 1 consegue a classificação.

Nordeste e Sudeste ainda continuam dominando a lista dos clubes classificados nesta fase.

Oitavas-de-final – Nordeste e Sudeste continuam com mais representantes

Oitavas-de-final – Nordeste e Sudeste continuam com mais representantes

O cenário começa a mudar nas quartas-de-final, quando o Sul consegue aparecer no mesmo patamar do Sudeste, enquanto isso, o Nordeste começa a ter uma queda considerável. O Centro-Oeste acaba sem representantes nas quartas-de-final da Série D, mostrando a fragilidade de uma região que já teve um número maior de clubes nas principais divisões do Campeonato Brasileiro.

Os clubes do Sul foram os mais eficientes das oitavas, de 3 clubes classificados, 3 garantiram vaga nas quartas, um aproveitamento de 100%. Já o Sudeste caiu de 4 para 3, mas o que mais chamou atenção foi o Nordeste que de 5 representantes ficou com apenas 1, um aproveitamento de 20% apenas. A região Norte ficou também com apenas 1 representante.

Quartas-de-final – Sul aparece bem e Sudeste continua entre os maiores

Quartas-de-final – Sul aparece bem e Sudeste continua entre os maiores

Nas semifinais onde os clubes classificados garantem o acesso para a Série C, temos uma fatia um pouco diferente. As quatro regiões que tinham representantes nas quartas garantiram uma vaga nas semifinais, deixando o cenário mais equilibrado. Apesar do número maior de clubes, Nordeste e Sudeste não conseguiram impor sua dominância numérica diante das outras regiões, e acabaram classificando apenas um representante para a Série C.

Semifinais – Igualdade númerica entre as regiões

Semifinais – Igualdade númerica entre as regiões

Diferente do que acontece na Série A e Série B, os times do Sudeste não conseguem se impor na Série D, dando espaço para clubes das outras regiões. O Nordeste, por exemplo, que possui apenas um clube na Série A é o maior representante na Série D.

O que chama atenção é a regularidade dos clubes do Sul do Brasil, que estão cada vez mais chegando longe nas divisões inferiores e buscando vaga na Série A, o exemplo mais claro dessa “evolução sulista” são os clubes de Santa Catarina, que apesar da classificação ruim, conseguiriam um número representativo na Série A.

Sudeste continua na liderança em número de clubes na Série A e B; Nordeste e Sul empatam em segundo lugar com 10 clubes cada

Não é novidade que o futebol do Sudeste é o maior vencedor de competições nacionais e, graça a isso, ficou conhecido como o “eixo Rio-São Paulo” – esquecendo inclusive o futebol mineiro, que teve bastante participação nas conquistas da região.

O fato é que São Paulo esteve com vários clubes em destaque, não somente os quatro grandes da capital, mas também bons times vindos do interior. Bom exemplo disso são clubes como: a Ponte Preta, Guarani, São Caetano e Portuguesa, que nunca foram considerados grandes, mas possuem representatividade no futebol brasileiro.

série b

*Estimativas de 2015 com base na classificação da Série A e B no dia 30 de outubro de 2014

Mas o cenário para os clubes de São Paulo e da região Sudeste de uma maneira geral, gera desconfiança. E o exemplo dessa queda do futebol paulista e da região é visível pelos números principalmente na Série B, competição onde metade – 10 clubes – já foram de Rio/São Paulo/Minas, mas atualmente o número caiu para 7, igual ao Nordeste.

Essa queda fica evidente quando pegamos como exemplo clubes como São Caetano, Guarani e Portuguesa, que já foram finalistas do Campeonato Brasileiro, e no caso do Bugre, até campeão nacional. Hoje amargam o gosto da Série C ou Série D do Brasileirão, sem grandes perspectivas de voltarem a ser destaques no cenário nacional. Essa queda do futebol paulista influencia muito os números do Sudeste, já que a maior parcela dos clubes da região, sempre foi do estado de São Paulo.

No caminho inverso, vem a região Nordeste, que, apesar de ter apenas 3 clubes na Série A, possui 7 clubes na Série B, mostrando que o futebol nordestino está voltando a crescer, depois de um tempo estagnado e quase chegando ao “fundo do poço”.

Essa volta por cima do futebol na região nordeste é mais clara quando pegamos clubes para exemplificar, nesse caso, o Sampaio Côrrea-MA e o Santa Cruz-PE. A média de público dessa região sempre foi um caso a parte, já que mesmo nas divisões menores (Série C e Série D), o número de torcedores era muito maior que de vários clubes da Série A, por exemplo. No entanto, mais do que torcedores apaixonados, os clubes nordestinos começaram a se estruturar para que, a médio prazo, pudessem fazer frente a clubes do Sul e Sudeste.

O resultado já está aparecendo. Na Série B, Sampaio e Santa Cruz fazem boas campanhas e brigam pelo acesso à Série A, isso poucos anos depois de estarem na Série D do Brasileiro – o Sampaio Côrrea-MA subiu da Série D para a Série C em 2012, e da Série C para a Série B em 2013 e pode subir para a Série A em 2014. Já o Santa Cruz-PE subiu para a Série C em 2011, e para a Série B em 2013, vencendo o próprio Sampaio Côrrea na final.

Esse crescimento na região NE também pode ser explicado pela volta da Copa do Nordeste, competição que era tradicional e acabou esquecida por algum tempo. Com a volta da competição, os times se preparam mais que nos campeonatos estaduais, que são considerados por muitos especialistas apenas como uma forma de preencher o calendário dos clubes, principalmente os pequenos, que não possuem vaga em nenhuma divisão do Campeonato Brasileiro.

A Copa do Nordeste consegue fazer que times “menores” consigam disputar partidas contra adversários da mesma região, mas de outros estados, aumentando a competitividade dessas equipes, principalmente em campeonatos menores – como Série B, Série C e Série D.

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*Estimativas de 2015 com base na classificação da Série A e B no dia 30 de outubro de 2014

Outra região que tem chamado atenção, principalmente na Série A, é o Sul. Marcado principalmente pelos clubes do Rio Grande do Sul e Paraná, a região tem agora um número grande de clubes de Santa Catarina na Série A – são 3 clubes catarinenses, contra 2 gaúchos e 2 paranaenses.

E na Série B, a situação não é diferente. No G4, dois times –Joinville e Avaí – são de Santa Catarina e podem aumentar ainda mais a presença do estado catarinense na elite do futebol nacional. Se no começo dos anos 90 e 2000, o Rio Grande do Sul despontava como o “carro chefe” da região, com equipes como Juventude, Caxias, Brasil de Pelotas, a realidade hoje é outra, e Santa Catarina, apesar da pouca relevância nacional, toma a frente na região Sul e é o clube com maior presença nas duas principais divisões nacionais.

Esse cenário é possível graça ao investimento em infraestrutura que os clubes catarinenses fizeram, e o projeto a médio prazo, com clubes subindo como Joinville e Chapecoense – que foi a grande surpresa da Série B em 2014.

Outro fato que contribui para esse crescimento de Santa Catarina é a disputa do Campeonato Catarinense, mais enxuto que os estaduais de Rio e São Paulo, por exemplo, e com mais atenção aos clubes “menores”, com menos privilégios aos “grandes”, diferente de Rio e São Paulo, que privilegiam os clubes grandes até mesmo no campeonato estadual.

total

Apesar do grande domínio do futebol do Sudeste nas duas principais divisões do futebol nacional, Sul e Nordeste já começam a mostrar força e tentam diminuir essa diferença. Enquanto os clubes nordestinos apostam em projetos para reerguer o futebol de clubes tradicionais, os clubes do Sul apostam em projetos de times menores, com possibilidade de crescimento e fortalecimento no cenário nacional. Essas propostas vão na contramão do futebol do sudeste, que continua apostando apenas nos clubes considerados grandes e esquecendo dos clubes do interior – que já foram destaques e ajudaram a consolidar a força do sudeste no futebol brasileiro.